Segurança

Consideramos-nos aventureiros, porém não radicalizamos dentro de nosso princípio de bem viver. Deixamos as surpresas da viagem por conta do clima (que sempre nos prega peças – a natureza é imprevisível) e por outros imprevistos tais como estradas fechadas, desvios, etc.

Eu, o Jota, tenho um problema genético e congênito que começou a aparecer aos 39 anos de idade que é o seguinte: quando não tenho boa percepção visual do ambiente perco totalmente o equilíbrio, tanto a pé, de bicicleta e também de moto. Não existe tratamento para isso.

Cientes dessa limitação e dentro dos princípios da segurança, sempre planejamos nossas viagens de maneira que não viajemos à noite (o único acidente que sofri em mais de 250 mil quilometros rodados, foi à noite num local deserto e sem nenhuma iluminação ou referência mais clara – no rípio próximo a Rio Gallegos-AR).

Também evitamos túneis longos sem iluminação e ou sinalização clara na pista. Isso limita nossas viagens, pero que no mucho.

Para evitar o cansaço demasiado e consequentemente a perda de reflexos, procuramos parar a cada 150 km (ou duas horas de viagem contínua). Nas paradas tomamos uma água, comemos algo leve quando necessário, usamos o banheiro e intercaladamente também abastecemos a moto.

Saímos sempre bem cedo e percorremos trechos diários que variam de 400 a 800 km (às vezes até 1000 km), dependendo do movimento, sinuosidade da estrada, do nosso estado físico, se tem aduana ou não, etc. Esse procedimento nos dá um lucro adicional já que chegamos mais cedo em nossos destinos, o que nos permite conhecer um pouco de algumas cidades onde, de outra maneira, só pernoitaríamos.

Se der “zebra” e a escuridão nos pegar, em trecho deserto, carregamos uma barraca para duas pessoas que “quebra bem o galho” por uma noite. Nunca a usamos. Sempre temos água e algumas barras de cereais.

Moto e equipamentos sempre revisados, com muito cuidado, ajudam a evitar surpresas desagradáveis.

A cada três dias de “puxada” procuramos ter um dia de descanso sem motocicleta. Iron Butt não é conosco.

Conforme o local para onde vamos, às vezes alugamos um telefone global via satélite (Iridium) e procuramos ter todos os números úteis das regiões por onde passaremos. Também nunca necessitamos utilizá-lo.

Nem tocamos no assunto da velocidade compatível com a estrada, movimento e clima, bem como, com o comportamento no trânsito. Afinal com nossa maturidade (adquirida pela experiência) e saindo para “curtir” a vida, não vemos sentido nenhum em adrenalina e riscos forçados.