
Olá, somos um casal de meia idade, com espírito esportivo e gostamos de viagens que possibilitem contato com a cultura dos locais visitados.
Jota nasceu em fev.1950, tem 1,92 m e 125 kg e Tana nasceu em jul.1955, tem 1,70 m e 57 kg.
JOTA & TANA são apelidos dados por uma familiar nossa (Leti, irmã da Tana), que inspirada no tinhoso Jotalhão e na teimosa Tanajura dos desenhos de Maurício de Souza, assim nos apelidou. Segundo ela lembramos os personagens, tanto pelos aspectos físicos quanto pelo temperamento. Há controvérsias. Vamos deixar por conta dos nossos visitantes, a forma como vão preferir nos chamar, após conhecerem nossas viagens e histórias.
Também, dadas às nossas características, temos outros apelidos: JOTA (João Moreira) vulgo Português Xiita, vulgo Jango, vulgo Moreira, vulgo Ursão, vulgo Miudinho. TANA (Solange) vulgo Polaca Radical, vulgo Didi, vulgo Sola, vulgo SO.
Por que viajar só o casal?
Temos como lema de bem viver analisar tod0s os prós e contras em nosso planejamento de vida, tomando decisões pautadas por um princípio básico e simples da Economia, qual seja, o da análise de Custos & Benefícios (C&B), sendo que aí incluímos os C&B materiais, físicos e mentais / emocionais.
Se o futuro demonstrar que nossa decisão necessita de correções e que podia ter sido melhor desde lá do início, simplesmente aplicamos o C&B a partir desse ponto e não nos lamentamos pelo que já passou. Registramos o aprendizado e tocamos em frente. Para nós tem funcionado bem.
Começamos a viajar de moto juntos (década de 90), só o casal, em pequenas viagens de fim de semana e distâncias curtas.
Depois de um tempo (2003) ingressamos num moto clube e passamos a viajar em grupo. Fazíamos pelo menos uma viagem mensal em torno de 350 a 500 km e, uma vez por ano, uma viagem mais longa.
O moto clube era formado, em sua maioria, por casais. Combinávamos os passeios mensais, locais e horários de partida e uma a uma das motos iam chegando. Abraços calorosos, papo em dia e quando o último piloto chegava seguíamos viagem. O ritmo de viagem era ditado pelo líder da viagem que ficava de olho nas últimas luzes, lá naquela curva ou reta distante.
Tudo era alegria, festa e empolgação para tocarmos o cotidiano. As mulheres, quebrando os paradigmas das características imputadas aos sexos, eram amigas, doces, confidentes e contemporizavam as unhadas entre os “machinhos”, quando passavam estresse na estrada e desabafavam nas paradas: “pô cara, quer nos matar? ”ou “ puxe mais rápido, estamos com sono, temos que nos desvencilhar dos caminhões e carros”.
Assim foi por três anos. Conhecemos muitos lugares, passamos alguns sustos, reuniões, festas e bate papos gostosos, brincadeiras e amigo secreto nas comemorações natalinas. Porém, aos poucos, surgiram situações de desgaste de relacionamento devido às diferenças individuais, filosofias de vida e idiossincrasias. Para nós, começaram a surgir situações estressantes cada vez com mais freqüência, fugindo assim dos nossos princípios de qualidade de vida. Os atrasos nos pontos de partida, os planejamentos não cumpridos, os ritmos de estrada, enfim, todos aqueles momentos deixaram de ser prazerosos.
Refletimos bastante e após muitas conversas chegamos à conclusão de que, talvez, devêssemos reavaliar nossa participação no grupo. Com essa idéia em mente, em janeiro de 2006, fizemos uma viagem longa, só o casal, de Curitiba para San Pedro de Atacama no Chile.
Na volta realizamos o nosso citado C&B e concluímos que, para nós, viajar só o casal os Benefícios superaram em muito os Custos. Assim decidimos partir para viagens solos, mantendo uma viagem por mês e uma longa anual.
Nossos antigos companheiros de grupo continuam nossos amigos e, eventualmente, ainda realizamos algumas atividades sociais e viagens com eles. Preservamos um dos bens mais preciosos – a amizade e o respeito – e continuamos aventureiros de estrada, fazendo nossas viagens e cada vez mais cúmplices, amigos e amados, conquistando novos amigos na estrada, motoristas que nos dão espaço e energia positiva, sob a proteção de Pacha Mama.
E O TEMPO PASSOU
Depois de viajarmos por mais 7.500 km, em 2013, saindo de Curitiba rumo a Belém, São Luís e Palmas eis que, por coisas da vida, desaparecemos das estradas por um tempo.
Jota trabalhando direto no Rio de Janeiro, “Joaninha” (a moto BMW KGT1600) parada em Curitiba – estrada como? Além disso em 2014 rodamos toda a Costa Oeste do EUA de carro com mais três casais amigos (viagem fantástica) e lá se foram os dias de férias do Jota – sem moto.
AVARÉ 2011
Em 2015 nas férias do Jota fomos para a Ilha da Páscoa (maravilhosa e imperdível) – sem moto. A Joaninha rodou em todo o ano de 2015 exatos 809 km – “Mas bah tchê, que fraco.”.
Jota & Tana relegados a “Fora da Estrada”?? Será?? Não! Não! Nada disso.
Concluímos que não temos como fugir de nossos sonhos e então, nas férias do Jota em 20/05/ 2016, temos Jota, Tana e Joaninha “deitando o cabelo” e deixando borracha no asfalto num pulinho de Curitiba até a Chapada dos Guimarães. São apenas uns 3.700 km (ida e volta), “ we’re back ”.
Ansiosos e com saudade da estrada em torno de 6h30min já estávamos devidamente paramentados e Joaninha carregada, motivos para lá de convincentes para sairmos de casa sem medo do céu carregado e prometendo muita chuva.
A viagem transcorreu normal até próximo a Laranjeiras do Sul quando uma tormenta poderosa, acompanhada de fortes ventos de frente nos surpreendeu. Pilotando com muito cuidado por uns 40 km conseguimos chegar a um posto de gasolina e hotel em Nova Laranjeiras.
Imediatamente paramos e estranhamos a enorme quantidade de veículos estacionada no posto. Ao indagarmos o porquê desse fato nos explicaram que os indígenas da região, acompanhados de militantes do MST, haviam interrompido o tráfego na estrada sem previsão de liberação.
Nos registramos no hotel e verificamos as alternativas. Retornar para pegar um caminho alternativo aumentaria a viagem em 260 km. Verificamos a previsão do tempo para os locais onde passaríamos e descobrimos que era de chuva total para os três dias de viagem. Checando a previsão para o caminho de volta a Curitiba constatamos que seria de tempo bom. Assim, decidimos pelo retorno e no dia seguinte às 14:oo já estávamos em casa. Foram exatos 700 km percorridos.
Qual o motivo de fazer este breve relato nesta parte do nosso Site? Simples – essa foi a última viagem da dupla Jota & Tana juntos, pois a Tana teve alguns problemas de saúde após essa viagem e não poderá mais viajar de moto.
O Jota ficou meio desmotivado com isso e não quis viajar solo. De 2018 a 2023 o Jota também teve percalços com a saúde, além da pandemia do COVID, e não viajou.
Em 2024, após cirurgia no ombro o Jota está praticamente recuperado e deverá retornar às estradas começando com viagens curtas e preferencialmente dentro do Brasil.
SAUDADES ANTECIPADAS
FICA AQUI UM REGISTRO DA “APOSENTADORIA” DA MARAVILHOSA GARUPA DE TANTAS PRAZEROSAS AVENTURAS – A TANA SEMPRE ESTARÁ PRESENTE NA MENTE E NO CORAÇÃO DO JOTA QUE, ANSIOSAMENTE VAI QUERER RETORNAR AO LAR, PARA CONTAR AS AVENTURAS DAS VIAGENS SOLO, À SUA ESPECIAL COMPANHEIRA.
“Não escolhemos a forma do nosso destino, mas podemos dar-lhe conteúdo. O que procura aventura encontrá-la-á — à medida da sua coragem. O que procura o sacrifício, será sacrificado — na medida da sua pureza.”
(Dag Hammarsk)