VIAGEM A NASCA, CUSCO E PUNO (PERU)
Quando comentamos nossas viagens, com a família, amigos, conhecidos percebemos, em alguns, a dificuldade em acreditar que preferimos o desconforto da motocicleta, onde ficamos instavelmente instalados sobre um banco estreito, aparentemente, sem nenhuma segurança, nos sujeitando a toda sorte de desconfortos, como chuva, neblina densa, ventos, neve, sol escaldante, estrada de asfalto ora esburacada ora lisa (que alegria!), de rípio ou de terra e sempre usando as pesadas roupas de cordura, capacete, luvas e as desconfortáveis botas.
E nós prontamente respondemos, com os olhos brilhando e largo sorriso: e o prazer de ganhar a estrada sobre duas rodas? E o fantástico conhecimento das pessoas, suas histórias e sua cultura? E o prazer da aventura, independente da idade? E a possibilidade de se ser livre, romper barreiras que existem apenas e tão somente em nossas mentes tão acostumadas à mediocridade e à rotina dos preconceitos e rótulos?
Pois é, nessa viagem até o Peru mostramos, em nosso relato da viagem, que nos sujeitamos a toda sorte de desconforto, onde atingimos 4.835 m de altitude em uma estrada construída na beirada das montanhas, inclinada para o precipício, lisa, com chuva fina, 5° centigrados e sensação térmica, abaixo de zero.
Nossos narizes ardiam, sentíamos o coração acelerado e parecia que nossas cabeças estavam crescendo, além daquela sensação horrível de zumbido no ouvido.
La quebrada Del Toro (Peru), um trajeto sinuoso que põe os “Caracoles” ou a “Serra do Rio do Rastro” no chinelo, curvas pendentes para o precipício e exigiu muita, muita habilidade do piloto, porque Eólo nos desafiou e o vento se manifestou com força total, onde levamos “motoporrada” em praticamente todo o trajeto. As dunas são mais avermelhadas, o rípio em maior quantidade e havia trechos em que a garupa se agarrava no motociclista e não olhava para a direita, pois dava a sensação que se olhasse ou se mexesse, o precipício nos engoliria.
E o bailado constante da areia branca e super fina na estrada, vindo dos dois lados e conforme batia a luminosidade ora parecia gelo seco, ora que a estrada ganhava vida e se movimentava. Tudo sob a batuta de sua majestade, Eólo, o deus dos ventos.
Cada viagem é uma viagem diferente e o principal componente aleatório, que observamos, é a natureza que simplesmente existe e se revela nua e crua, sem medos, sem raiva, sem amor, sem paixão, sem comiseração pelos seres vivos e sem predisposição ou planejamento. Simplesmente acontece. Tudo não passa do fato de estarmos ou não em determinado local e instante. “Hay que pensar, no pasamos de gusanos”.
Foram 9.851 km rodados, de 02 de janeiro a 26 de janeiro de 2009.
Viaje conosco, lendo o relato desta viagem que ao entrarmos no Peru, país místico, o moturismo foi transformado em motaventura.
Roteiro Peru