Ideias/Comentários

 

Cada viajante tem seus “macetes” e peculiaridades para planejar suas viagens. Nós JOTA & TANA, típicos mototuristas de asfalto, procuramos sempre andar em estradas pavimentadas e buscar, ao máximo, pontos turísticos interessantes.

Normalmente fazemos nosso planejamento, dia a dia, a partir dos mapas rodoviários dos trechos que pretendemos percorrer e o complementamos com informações obtidas, via internet, de outros viajantes e também com a utilização do Google Earth e Google Maps.

A partir daí montamos uma planilha em Excel (ver modelo), contendo todas as informações obtidas e consideradas importantes, tais como: as principais cidades, as rodovias, a quilometragem dos trechos parciais, a quilometragem acumulada, os pontos importantes a serem observados, polícias, pedágios, postos de gasolina, localização de hotéis, etc. Pronta a planilha, a imprimimos em tamanho reduzido, plastificamos e levamos no estojo para mapas da mala de tanque.

Também sempre levamos os mapas que consideramos necessários.

Utilizamos o GPS (Garmin Maps 276C) somente como ferramenta complementar, pois quando viajamos ao Atacama, por exemplo, no terceiro dia de viagem quebrou a antena do aparelho e ficamos sem ele. Se não tivéssemos nosso planejamento em papel teria complicado.

Na viagem que fizemos ao Peru, quando saímos de Nasca rumo a Cusco, inexplicavelmente, rodamos mais de 300 km sem que o aparelho conseguisse a triangulação dos satélites. De repente voltou ao normal. Dois dias mais tarde ocorreu o mesmo por uns 18 km.

Ao voltar mandei o GPS para revisão e não tinha nada de errado com ele. E daí? Componente espírita da eletrônica?

Repassar várias vezes o trajeto a ser percorrido para gravar as mudanças de rumo mais importantes, o “jeitão” de alguns trevos e cruzamentos, além do nome de algumas cidades onde se deve passar, ajuda muito na hora da dúvida.

Ainda na última viagem que fizemos ao Peru, levamos nosso note book e quando possível fazíamos um briefing do dia seguinte pelo Google Earth.

Mediante pesquisas na internet elaboramos uma lista dos hotéis, pelo menos uns quatro ou cinco por cidade – quando tem, e procuramos nos hospedar sempre no primeiro da lista e se não for possível, no segundo e assim sucessivamente. Isso é importante, pois deixamos essa relação com nossos familiares facilitando nos localizarem se necessário. Raramente reservamos hotéis com antecedência.

Até hoje, desde que começamos a fazer o planejamento como relatado, nunca tivemos maiores problemas, raramente nos perdemos e sempre conseguimos cumpri-lo em torno de uns 98%.

Exemplo de Planejamento em Excel:

 

Consideramo-nos aventureiros, porém não radicalizamos dentro de nosso princípio de bem viver. Deixamos as surpresas da viagem por conta do clima (que sempre nos prega peças – a natureza é imprevisível) e por outros imprevistos tais como estradas fechadas, desvios, etc.

Eu, o Jota, tenho um problema genético e congênito que começou a aparecer aos 39 anos de idade que é o seguinte: quando não tenho boa percepção visual do ambiente perco totalmente o equilíbrio, tanto a pé, de bicicleta e também de moto. Não existe tratamento para isso.

Cientes dessa limitação e dentro dos princípios da segurança, sempre planejamos nossas viagens de maneira que não viajemos à noite (o único acidente que sofri em mais de 250 mil quilometros rodados, foi à noite num local deserto e sem nenhuma iluminação ou referência mais clara – no rípio próximo a Rio Gallegos-AR).

Também evitamos túneis longos sem iluminação e ou sinalização clara na pista. Isso limita nossas viagens, pero que no mucho.

Para evitar o cansaço demasiado e consequentemente a perda de reflexos, procuramos parar a cada 150 km (ou duas horas de viagem contínua). Nas paradas tomamos uma água, comemos algo leve quando necessário, usamos o banheiro e intercaladamente também abastecemos a moto.

Saímos sempre bem cedo e percorremos trechos diários que variam de 400 a 800 km (às vezes até 1000 km), dependendo do movimento, sinuosidade da estrada, do nosso estado físico, se tem aduana ou não, etc. Esse procedimento nos dá um lucro adicional já que chegamos mais cedo em nossos destinos, o que nos permite conhecer um pouco de algumas cidades onde, de outra maneira, só pernoitaríamos.

Se der “zebra” e a escuridão nos pegar, em trecho deserto, carregamos uma barraca para duas pessoas que “quebra bem o galho” por uma noite. Nunca a usamos. Sempre temos água e algumas barras de cereais.

Moto e equipamentos sempre revisados, com muito cuidado, ajudam a evitar surpresas desagradáveis.

A cada três dias de “puxada” procuramos ter um dia de descanso sem motocicleta. Iron Butt não é conosco.

Conforme o local para onde vamos, às vezes alugamos um telefone global via satélite (Iridium) e procuramos ter todos os números úteis das regiões por onde passaremos. Também nunca necessitamos utilizá-lo.

Nem tocamos no assunto da velocidade compatível com a estrada, movimento e clima, bem como, com o comportamento no trânsito. Afinal com nossa maturidade (adquirida pela experiência) e saindo para “curtir” a vida, não vemos sentido nenhum em adrenalina e riscos forçados.

 

Como nossas viagens para o exterior (América do Sul) foram realizadas ha mais de dez anos, os documentos exigidos sofreram algumas alterações no decorrer desse tempo. Sugerimos para esse tópico abrir o hiper link a seguir, o qual é bem completo em suas informações:

https://www.seguroviagem.srv.br/blog/documentos-para-viajar-de-moto-america-do-sul#

 

Cópias:

Normalmente levamos cópias físicas dos documentos. Por segurança adicional, também digitalizamos todos os documentos e enviamos como anexos a uma mensagem, para nosso Hotmail e a salvamos na pasta Rascunhos. Em qualquer lugar, onde haja computador (se bem que levamos nosso note book), internet e uma impressora, podemos acessá-los e imprimi-los.

Outra maneira que também usamos é copiar as digitalizações para um pen drive, porém com o avanço da telefonia celular esses aparelhos possuem recursos que facilitam o acesso a documentos em qualquer lugar. O único senão é perder o aparelho (por esquecimento ou roubo)

 

Roupas:

Os tipos de roupas dependem dos destinos e respectivos climas na época da viagem, bem como, das atividades que se prevê desenvolverem (caminhadas rústicas, passeios nas cidades, atividades esportivas, atividades sociais, etc.).

Como itens genéricos procuramos sempre levar:

  • Camisetas esportivas de thermo dry, pois não guardam cheiro de suor, secam rapidamente, ocupam pouco espaço e são leves.
  • A velha sandália havaiana, um par de tênis ou de botas de caminhada, dependendo das atividades previstas. Se forem sociais, lá vão os calçados e roupas correspondentes (aí já complica o espaço). Para nós, num encontro BMW de 4 dias, os baús vão tão cheios quanto para uma viagem de 18 dias ao Atacama, por exemplo.
  • Calças do tipo “aventura”, aquelas que viram bermuda, são ótimas e versáteis e para as mulheres, as confortáveis calças legs.
  • Sunga e maiô.
  • Para o frio a linha under wear da Solo ou similar, meia estação para os “calorentos” e de inverno para os “friorentos”, normalmente as damas.

(*) Normalmente levamos 1 kg de sabão em pó multiação e de vez em quando lavamos algumas roupas (principalmente as íntimas). Como varal levamos um extensor longo, quebra bem o galho e é fácil de enroscar. Se o sabão acaba, compramos mais um pouco.

 

Bagagem:

Utilizamos o top case, os dois baús laterais e a mala de tanque originais da motocicleta utilizada.

Também carregamos de dois a quatros sacos impermeáveis de 13 a 20 litros cada, os quais amarramos sobre os baús laterais. Neles carregamos as capas de chuva, forros de inverno das roupas de cordura, calçados, barraca e casacos pesados (anoraks) quando necessário.

Sobre o top normalmente amarramos dois colchonetes caso seja necessário usar a barraca.

Esses contêineres tem se mostrado suficientes para a bagagem que carregamos, considerando viagens de 15 a 30 dias e em torno de até 12.000 km e ainda sobra algum espaço para as lembranças compradas.

 

Este tópico é muito individual uma vez que depende das habilidades mecânicas de cada um.

Lembramos que encontrar mecânicos e outros motociclistas que entendem de motocicletas é relativamente fácil. O difícil é ter peças.

Panes eletroeletrônicas que dependam do software específico da moto são de solução praticamente impossível. Baterias de gel que “dão pau” sem aviso e sempre no pior lugar possível, acabam sendo uma questão de sorte.

Assim raciocinando, nós que nos consideramos pouco hábeis com mecânica e elétrica*, costumamos levar:

  • O kit básico de ferramentas recomendado para a moto (ver com os mecânicos das concessionárias) que permitam, no mínimo, desmontar as rodas.
  • O kit de reparo para pneus sem câmara.
  • Um compressor de ar elétrico e uma bomba de ar manual.
  • Um jogo de pastilhas do freio traseiro.
  • Um litro do óleo que estiver sendo usado.
  • Um pedaço de arame, silver tape, fita isolante, abraçadeiras plásticas de vários tamanhos, isqueiro, extensores elásticos, cintas de aperto, e um canivete multifuncional com alicate.

(*) normalmente não levamos lâmpadas de reserva por serem frágeis e também porque não costumamos rodar fora do asfalto (sem trepidação ou pedradas). Nunca tivemos esse tipo de problema.

 

Ações preventivas:

Para tentar minimizar possíveis problemas na viagem, por ocasião da revisão pré-viagem e independente da quilometragem da moto, procuramos cuidar do seguinte:

  • Trocar o óleo do motor e os filtros de óleo e ar se necessário.
  • Colocar os dois pneus novos.
  • Colocar pastilhas dos freios dianteiro e traseiro novas.
  • Fazer uma inspeção visual e dar um reaperto geral em tudo o que é possível.
  • Examinar o óleo da transmissão para verificar a presença de mini fragmentos metálicos. Se aparecerem, abrir a caixa de mudanças e/ou o diferencial e examinar as engrenagens e rolamentos.
  • Fazer a revisão elétrica e eletrônica padrão.

 

Durante nossas viagens percebemos que na Argentina, Paraguai e Peru existe uma minoria de representantes da lei que tende a ser corrupta como acontece no Brasil.

Já no Chile e Uruguai nunca tivemos problemas. Sempre estamos com toda a documentação necessária.

Bolívia nunca fomos. Todos nossos colegas motociclistas que viajaram para lá passaram por “perrengues” bastante graves com assaltantes, polícias , postos de abastecimento e até com alguns populares.

Quando somos parados por um policial decidido a criar caso para angariar alguma propina, cada um tem uma maneira diferente de reagir.

No primeiro grupo se enquadram os indivíduos que simplesmente dizem que não estão errados e não concordam com a multa com a qual estão sendo ameaçados. Estes normalmente perdem muito mais tempo de viagem.

Há um segundo grupo que não discute, simplesmente paga a propina que foi pedida e prossegue viagem sem muita perda de tempo.

O terceiro e último grupo, discute a legislação do país, saca máquina fotográfica ou filmadora para inibir os “mordedores”. Esgotada a argumentação, partem para a negociação do valor da propina, alegando que não tem muito dinheiro vivo só cartões de crédito.

Nós, que viajamos sempre solos, nos enquadramos no último grupo (o dos “chorões” negociadores) e a única regra constante, que mantemos nesses encontros desagradáveis,  é a de sermos  sempre gentis e educados, mesmo que a outra parte não o seja. Normalmente isso funciona bem, mas lembramos que cada situação tem suas características únicas a serem resolvidas no momento.

Sempre levamos valores equivalentes entre R$30,00 e R$50,00 junto com os documentos, para não manusear grandes valores na frente dos corruptos.

Às vezes a Tana negocia visando uma maior gentileza com as mulheres. Também já funcionou.

O valor máximo que pagamos até hoje foi o equivalente a R$50,00 e o tempo máximo perdido foi de 15 minutos.