21º dia: sábado, 07 de marco de 2003: Mercedes-AR a Uruguaiana-RS-BR = 738 km rodados em 12 horas (média de 61,5 km/h)
Percurso: Mercedes/Zarate/Ceibas/Gualeguaychu/Ubajay/Concordia/Chavary/Batuoca/Paso de Los Libres/Uruguaiana
Acordamos bem cedo, ansiosos para dormir no Brasil e às 7:30 saímos, com neblina forte, pouca visibilidade e falta de sinalização das estradas. Não achávamos a saída e após voltas tortas por caminhos nunca passados, encontramos a rota graças ao GPS do César.
Rodamos o dia inteiro, parando a cada 80 – 100 km para o Jota alongar. Estava desconfortável e com bastante dor na lombar. Também, pudera piloto grandão, com a Virago sobrecarregada e o único carregando garupa.
Em uma de nossas paradas, para abastecimento, nossa Virago ranhetou para pegar e precisou ser empurrada.
Na parada seguinte, morreu e todas as tentativas para dar a partida foram em vão. Palpite daqui, palpite dali, parte do grupo começou a desmontá-la, outra parte procurando a tampinha desaparecida do tanque de água destilada da bateria e o Carlão fazendo strip tease, pois o calor era infernal, quando de repente, já refrescado e semi nu (quase todos gargalhando com a cena), afirma assertivamente que era problema na bateria e que estava sem água.
Peraí rapaz! Como é que você sabe disso? Ele, então, sai com uma explicação para lá de esdrúxula, dizendo que havia cheiro de ovo podre (não era do banheiro?), o que quer dizer enxofre! Todos se olharam e continuaram ouvindo as explicações: na bateria tem ácido sulfúrico que, com calor, desidrata e libera enxofre. Todas essas explicações dadas, com ele (Carlão) vestido só de sunga e calça arriada sobre as botas.
Tiraram a bateria e constataram que ela estava seca (deve ter derramado nas quedas). Depois de completada com água destilada, nossa Virago pegou na primeira e o Carlão, dentista nas horas vagas e mecânico de profissão, foi o palhaço e herói do dia.
Passado o estresse, alguns quilômetros à frente fomos presenteados por Pacha Mama com o Sol se pondo e criando belas imagens no horizonte, com nuances dégradés azuis até o vermelho vivo do pôr do sol de um lado da estrada e de outro um belo arco-íris, formado por uma chuva leve.
Também passamos por uma nuvem de libélulas, a 120 km/h e não batemos nelas. Passávamos pela nuvem e quando parecia que íamos matá-las, elas se desviavam. Todos saíram da nuvem com suas motos, capacetes e roupas sem restos mortais grudados.
Quando chegamos a Concórdia, conferimos o que todos os viajantes (motos, carros e caminhões) sabem. Fomos “mordidos” pelos guardas argentinos de Entre Rios! Reduzimos a velocidade, cuidamos nas ultrapassagens, enfim, cumprimos rigorosamente todas as leis de trânsito e, mesmo assim, fomos parados por um policia. Pediu o >em>mata fuego (extintor) e mostramos o extintor carregado desde a saída de Curitiba (10.000 km). O guarda olhou assustado e, mesmo assim, continuou mordendo. Após vários minutos de conversa do Luiz com o guarda e seu superior, cada um de nós (inclusive eu) deixou 5 pesos para a caixinha de la policia, prejuízo acessível, comparado com um casal de suíços que estava indo para Ushuaia e cada um deles deixou 100 pesos para o caixinha dos policiais de Concórdia, a terra conhecida por suas autoridades corruptas.
Injuriados prosseguimos nossa viagem, voando baixo para recuperar o tempo parado e porque o Jota não pode viajar à noite (virou desculpa, para voarmos). Chegamos à fronteira com o Sol se pondo, às 19:45. Atravessamos a fronteira de Paso de Los Libres-AR para Uruguaina-BR buzinando e abanando. Todos felizes e aliviados. Íamos dormir no Brasil.
Paramos no primeiro hotel que encontramos, assim que entramos no Brasil, tomamos um demorado banho, jantamos em um restaurante próximo ao hotel e rimos muito da “strip tease” e da bateria cheirando ovo podre.
No restaurante havia música ambiente e estava tocando uma seleção de músicas brasileiras. A Tana e o César, nostálgicos e saudosos, perguntaram ao dono se ele gravaria as músicas para nós. O homem pediu os endereços e disse: vou gravar e mando pelo correio. Vamos aguardar.
Ainda no restaurante, em nossa penúltima noite na estrada, elegemos cada um dos personagens desta aventura, conforme relacionado:
Duro de matar: Moreira - o Jota
Rei do rípio: César
Manco do grupo: Marco
Melhor piadista: Carlão
Revelação feminina: Solange – a Tana (ainda bem, já pensaram se perco para um dos marmanjos?)
O melhor dia da viagem: chegada a Ushuaia
O pior dia: acidente do Jota
Melhor passeio: Glacial Perito Moreno
As motos:
Revelação: BMW
Galaxie: LC 1500cc, grande, confortável e gastona
Égua Pocotó”(devido ao escape esportivo do Marco): Intruder 1400
Enterprise (com seus gigantescos bauletos laterais, indo aonde nunca nenhuma outra nave jamais foi): Black Bird XX
Fênix: renascendo das cinzas: Virago 1100
Música: A Million Little Pieces – Placebo