16º dia: domingo, 02 de março de 2003: El Calafate-AR a Perito Moreno-AR = 80 km rodados em 6 horas de ônibus
Partimos cedo de ônibus para o Parque Nacional Los Glaciares, incluído em 1981, pela Unesco, como patrimônio da humanidade. O parque fica a 80 km da Cidade de El Calafate, dos quais metade em rípio. Estávamos esperando muito frio, considerando a temperatura média anual ser 7,5 graus centígrados. Fomos agasalhados e, ainda, levamos alguns acessórios usados nas motos para nos protegermos do frio. Depois de compradas as entradas, seguimos beirando o Braço Ricco do Lago Argentino até o local onde se embarca para o passeio sobre a geleira.
O barco atravessa o lago em 20 minutos e descemos perto de um refúgio. As medidas de proteção ambiental são rígidas, com uma regra básica, o lixo que produzimos retorna conosco.
No abrigo deixamos nossas mochilas com nossa alimentação. Seguimos a pé por uma trilha até chegar à geleira. Para andar na geleira recebemos uma sola com grampos de ferro que é amarrada aos calçados (grampon- para não escorregar).
Devidamente paramentados, seguimos em fila indiana, acompanhados de guia especializado, caminhando naquele branco azulado, com fantásticas formações esculturais. Em alguns pontos, fendas profundas, cheias de água cristalina (que é potável e de excelente qualidade, além de geladíssima). É indescritível a sensação de caminhar sobre a geleira.
A Geleira Perito Moreno localiza-se no sul da Argentina e se estende desde o Campo de Gelo Patagônico Sul, na fronteira entre Argentina e Chile, até o braço sul do Lago Argentino, possuindo cinco quilômetros de largura e sessenta metros de altura. Seu nome é uma homenagem a Francisco Pascasio Moreno, renomado pesquisador da região austral daquele país.
O glaciar é considerado uma das reservas de água doce mais importantes do mundo e está localizado em uma região rodeada por bosques e montanhas, no Parque Nacional Los Glaciares, criado em 1937, na Província de Santa Cruz.
Andamos pela geleira em torno de uma hora e meia. Quase no final da caminhada, chegamos ao topo de uma colina e nos deparamos com uma surpresa, uma mesinha de madeira com um presente, uísque”(12 anos) com gelo de 300 anos. Brindamos e bebericamos o uísque 12 anos, com o gelo 200 anos.
Retornamos ao abrigo para o almoço. O frio aumentou. Enquanto aguardávamos o barco, desprendeu-se um grande bloco de gelo do paredão, com um forte estrondo, levantando ondas de uns 3 metros. O barco que estava atracando, recuou apressadamente e mesmo no meio do lago, subia e descia violentamente. Ainda, quando as ondas se chocavam com as pedras do ancoradouro, nos molhavam a mais de 5 m de altura.
Depois que tudo se acalmou, atravessamos o lago, caminhamos pelas passarelas bem em frente ao paredão de gelo, onde tiramos muitas fotos, filmamos e assistimos vários desprendimentos de gelo. Há placas no local, sinalizando que já houve mortes de pessoas que chegaram muito perto da geleira e foram atingidas por pedaços de gelo.
Do parque é possível ver o famoso Cerro Fitzroy, imponente montanha, considerada pelos alpinistas um dos maiores desafios, apesar de sua altitude ser de apenas 3.375 m, porque suas paredes verticais exigem destreza e técnica impecáveis para serem conquistadas, além de preparo físico para superar o clima ruim e traiçoeiro da região.
Uma informação importante, o seu nome é uma homenagem a Robert Fitzroy, capitão do HMS Beagle, navio que levou Charles Darwin em sua viagem ao redor do mundo.
No parque comemos a fruta de El Calafate (segundo dito faz retornar quem a come). No final da tarde fomos até a rodoviária e retornamos de ônibus a Rio Gallegos, chegando perto da meia noite, sentindo muito frio, mas relaxados pelo passeio espetacular.
Música: A Million Little Pieces – Placebo