14º dia: sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003: Rio Gallegos-AR – Conferindo os prejuízos
Acordamos ainda tensos e fomos conferir a Virago, no pátio da polícia. O dano era preocupante: as pedaleiras (com os controles das marchas e do freio traseiro) estavam destruídas e na bolha faltava um pedaço, logo acima do manete. Provavelmente a rabeia do caminhão passou por ali. Se fosse um pouco mais para a direita teria acertado a cabeça do Jota e se fosse um pouco mais baixo teria arrancado sua mão. Teve sorte de ter apenas fraturado um dos metacarpos da mão.
Conseguimos um mecânico que levou a moto para consertar, com a incerteza em nossos pensamentos. Seria o fim da nossa viagem?
Em torno das 14h chegou o restante do grupo.
Soubemos então, que no dia anterior, a moto do Marco, pifou 10 km antes da balsa. Neste momento nós estávamos no Estreito de Magalhães, pegando a balsa. Como o Marco não chegava, o restante do grupo voltou. Frustradas todas as tentativas de conserto no local (sob fortíssimo vento), voltaram a Cerro Sombrero para pedir ajuda e levaram a moto para a casa do Mauro (onde tem também uma oficina completa). Ele chamou seus mecânicos e eletricistas, descobriram o problema e consertaram (diafragma da bomba de gasolina colado – inverteram a corrente e descolou). O Mauro ofereceu um churrasco ao grupo. Dormiram no hotel local (onde eu tinha pedido ao grupo que ficássemos, para dar tempo ao Jota, que se recuperasse da tensão do dia – coisas da democracia).
Eles também encontraram fortes ventos, mas souberam que nós tínhamos enfrentado rajadas que chegaram a 80 – 90 km/h.
Um pouco antes de Rio Gallegos souberam pela polícia rodoviária do nosso acidente.
Reencontramo-nos no hotel, trocando informações do ocorrido.
Ficamos o resto do dia em Rio Gallegos. Alguns aproveitaram para descansar e outros para cuidar das motos. Fui passear pela cidade e experimentar uma peluqueria, para tentar tirar o cheiro do pó e do medo, como se fosse possível, uma vez que ainda estava com o emocional abalado.
No final de tarde fizemos um passeio, juntos, pela cidade. Fomos ao correio, mandar alguns postais e compramos lembranças.
Tivemos uma reunião para discutir o que fazer. O plano original era seguir de moto até a cidade de El Calafate, onde se localiza o Glaciar Perito Moreno, a 300 km de Rio Gallegos, mas nós não poderíamos acompanhar o grupo, porque além da moto em conserto, o Jota estava com a mão direita muito inchada e dolorida e nós dois abalados para subir em uma moto de imediato. Precisávamos nos distrair e descansar da Virago.
Descartadas as motos iríamos de ônibus para El Calafate. O nosso passeio seria de três dias, no total, com a possibilidade de a nossa moto ficar pronta. Se não fosse possível, ficaríamos mais um dia, considerando, inclusive, o nosso retorno de avião.
No mesmo dia, porém, recebemos a boa notícia de que a nossa moto ficou pronta e poderíamos prosseguir com o grupo. De qualquer maneira mantivemos o combinado de ir a El Calafate de ônibus.
À noite jantar no Horrio, um excelente restaurante. Depois de todo o estresse que passamos o jantar foi um momento de descontração. Fizemos muitas brincadeiras e demos boas risadas.
Música: A Million Little Pieces – Placebo