Dia a Dia – Puerto Natales 2009/10


24° Dia – 18/01/2010 – Segunda-feira: Resistencia-AR a quase (km 1469 da RN12) Puerto Rico-Ar = 462,4 km

Percurso: Resistencia /Corrientes /Santa Ana /Jardim América /Capioví /Ruta 12 – km 1469

No domingo à noite voltamos a assistir TV, após dias e dias desligados do mundo, quando vimos que várias regiões argentinas e brasileiras estavam sendo castigadas por fortes temporais.

Pouco antes das 7h deixamos Resistencia sob forte calor e nuvens carregadas, o que nos deu um fôlego, circulando sob a sombra das nuvens.

Cruzamos a bela Puente General Belgrano, sobre o Rio Paraná, ligação entre Resistencia e Corrientes. Até Posadas aceleramos bastante, pois a estrada é excelente (mal sabíamos que essa acelerada teria um custo mais à frente).

Cruzamos Posadas dentro dos 60 km/h permitidos e não tivemos nenhum problema com a mesma polícia que nos lesou em US$130, no segundo dia do nosso passeio. Pouco mais adiante na altura de Jardin América começaram as pancadas intermitentes de chuva pesada (5 km de chuva, 5 km secos e assim seguia).

Logo após passarmos a cidade de Capioví despencou um “toró” notável, baixamos a velocidade para nosso ritmo de chuva forte (entre 100 e 110 km/h) e de repente num aclive reto, sem nenhum sinal, estávamos os três Jota, Tana e a Bela rolando pelo asfalto e acostamento.

Foi tudo muito rápido, a Tana sentiu a roda traseira de a Bela levantar e viu o guidão e roda dianteiros virarem desordenados. Começou a voar e contou três vezes a cabeça bater no chão e voltar como se fosse uma bola de pingue pongue.

Sem saber direito o que tinha acontecido o Jota levantou zonzo e correu para a Tana que estava caída no acostamento. Estava lúcida, sentindo dores no pescoço e na cabeça. Tentou levantar e não conseguiu se firmar com a perna direita, assim ficou imóvel aguardando socorro.

Em minutos as pessoas começaram a aparecer. Um médico que examinou a Tana e assegurou que não tinha afetado a coluna. Um simpático argentino que chegou, em tom tranqüilizante, se apresentando como “Hugo, dono da Panaderia Alemana, bem ali em Puerto Rico”, que já tinha desligado a Bela e chamado a polícia que em menos de 10min já estava nos atendendo. As ambulâncias demoraram mais de meia hora, pois estavam atendendo a outros dois acidentes.

Fomos transferidos ao Hospital IMSA em Puerto Rico, fizemos todos os exames necessários e constatamos estar com traumatismos e escoriações leves, sem fraturas.

Acomodados em “nosso apartamento”, no soro, recebemos a surpreendente visita do nosso anjo-da-guarda, o Hugo. Quando lhe perguntamos porque parou tão prontamente quando muitos passaram direto pelo acidente, nos encarou e simplesmente respondeu: Porque soy motociclista e nos contou ter sofrido um acidente de moto e ficado 15 anos sem pilotar. Atualmente possui uma Kawasaki 1100.

Conversamos muito com o Hugo para tentar descobrir o que teria gerado o acidente. A Bela estava ótima, a velocidade sob controle e a estrada estava vazia, mas com valetas nesse trecho de subida.

O Jota contou ao Hugo que costumamos colocar os pneus Pirelli Scorpion, mas devido à falta destes em Curitiba, por ocasião das duas últimas trocas, mudamos para o Metzeler Endurance.

Continuou o Jota, conversei com um conhecedor e revendedor de pneus (que também tem GS) e este garantiu que o Metzeler agüenta de 12.000 a 15.000 km rodados sem problemas. Ainda em dúvida, o Jota argumentou: “nosso peso de carga considerando piloto, garupa e bagagem gira em torno de uns 240 kg viajamos num ritmo entre 130 e 140 km/h e pegaremos temperaturas ambientes em torno de 40m graus ”. Resposta do especialista: “Vai rodar quanto”- Jota: “em torno de 11.800 km”- O especialista: “Hiii! Vai tranqüilo”. Fomos, conclui Jota para Hugo.

Quando chegamos a Resistencia olhamos o pneu traseiro e achamos que dava para arriscar. Após o tombo verificamos que a parte central de mais da metade do pneu estava no aço. Acreditamos que no “trancão” entre Corrientes e Posadas isso aconteceu. Aço = pneu “carequíssimo” + asfalto molhado não pode dar outra- CHÃO. Vivam os especialistas!

Por outro lado conhecemos a solidariedade do povo argentino, polícias, médicos, enfermeiros e em especial ao casal Hugo e Graciela Schmidt. Hugo foi a pessoa que desligou a Bela, chamou a polícia, recolheu nossos pertences em sua casa e acompanhou toda a transferência da moto para o pátio da polícia, enquanto estávamos internados, em observação.

O comissário Roda nos visitou no hospital, retornou carregando nossas bagagens, guardou nossa Bela e ficou à disposição para quaisquer necessidades.

Para todas as pessoas que não são fãs do motociclismo, por acharem perigoso demais (e é claro devem ter bons motivos), nós Jota & Tana, dentro de nossa filosofia de vida no que diz respeito aos riscos que admitimos correr, em especial com viagens de moto, lembramos sempre de um ditado que ouvimos um dia, em algum lugar, que diz: Os audazes poderão não viver para sempre, já os temerosos nunca viverão plenamente.”

Dentre as perdas ocorridas em nosso acidente encontra-se a máquina fotográfica, motivo pelo qual não temos as belas fotografias tiradas, em especial da ponte Gal. Belgrano.

Entretanto, conhecemos uma pequena cidade, Puerto Rico, com seu povo solidário e que nos cercou de atenção e cuidados tão especiais que saímos leves e felizes por termos conhecido pessoas tão singulares.

Adelante!

DADOS TÉCNICOS:


TEMPOS : EM MOVIMENTO 4h6min41seg; PARADO 54min35seg; TOTAL 5h1min16seg.

VELOCIDADES: MÉDIA EM MOVIMENTO 107,6 km/h; MÉDIA TOTAL 84,3 km/h.

DISTÂNCIAS: DO DIA 488,6 km; ACUMULADA 10.858,0 km.

CONSUMO: DO DIA 12,73 km/l; ACUMULADO 12,756km/l; Valores → 10.858,0 km / 851,04 l.

Música: Back in the High Life Again – Steve Winwood