Dia a Dia – Puerto Natales 2009/10


17° Dia – 11/01/2010 – Segunda-feira: em Puerto Madryn-AR

Acordamos com o astro rei, nascendo no horizonte e sua majestade refletindo no mar. Era o prenúncio de que o dia seria especial.

Saímos de Puerto Madryn, o maior centro de serviços da costa patagônica, com a expectativa de conhecer a Península Valdez, Área Natural Protegida (2001) e declarada Patrimônio Natural da Humanidade, pela UNESCO (1999).

Ficamos admirados com a variedade de paisagens de singular beleza, compondo uma tela com o azul do céu e do mar.

Nossa expectativa era visitar os lobos e elefantes marinhos, cientes que as baleias só poderemos visitá-las de junho a dezembro, quando migram para cá.

Encontramos os lobos marinhos agitadíssimos, pois estão no pico de sua libido, para reproduzir-se e criar seus filhotes. A maioria deles, procriando com várias fêmeas, mas sempre ligados em proteger seu harém dos outros machos. Ficamos acompanhando um macho jovem “cercando” as fêmeas e, após várias tentativas frustradas, afastou-se um pouco, fingindo desinteresse, porém estava pronto para “dar o golpe fatal”, na primeira distraída de um dos machos alfas.

Seu andar é desengonçado, o som que emitem o tempo todo, parece um forte sopro. Alguns chegam a matar os filhotes (são pretos) para a fêmea parar de amamentar e voltar ao cio. As gaivotas se refestelam diante de lauto banquete, pois se alimentam das placentas.

A Península Valdez, em Caleta também abriga a única colônia continental de elefantes marinhos do mundo. Durante os meses de janeiro a abril e de setembro a dezembro é possível visitá-los. Nos últimos meses do ano procriam. Atualmente estão trocando a pele, ficam vulneráveis, com uma cor cinza clara e em jejum até ocorrer a troca total da pele, quando voltam para o mar.

Inesperadamente registramos a agilidade de um tatu, circulando próximo aos leões marinhos e com a mesma rapidez que apareceu diante dos nossos olhos, desapareceu sob a terra.

Almoçamos na Estância La Elvira, uma loucura, muito turista se empurrando, brigando por mesas e cadeiras, onde cada um mostra seu lado primitivo. O bárbaro é o cardápio, totalmente vegetariano em respeito aos animais. A Tana Pelicana comeu hiper bem, mas o Jota Abutre, pela primeira vez em 19 anos de convívio, comeu bem menos.

Visitamos um pequeno sítio de pingüins de Magalhães, que durante sua época reprodutiva também se alojam em Valdez, onde vão se espalhando pela costa do Chile e da Argentina, com a maior concentração em Punta Tombo.

A guia Karina nos contou que as baleias estão migrando para o litoral catarinense, porque estão ficando doentes e algumas não resistem às infecções. Por que, perguntamos? O lixão de Puerto Madryn fica próximo ao local onde se abrigam. As gaivotas comem o lixo podre e estão transmitindo bactérias às baleias.

E como as gaivotas transmitem doenças às baleias? Quando “limpam” os pequenos ferimentos das baleias com suas bocas infestadas de bactérias produzidas na podridão do lixo humano.

De uns 10 anos para cá, o número de baleias está reduzindo, o que tem preocupado os puertos madrillenos, cuja economia tem no turismo um dos principais fatores.

Outro momento triste da ação humana é a tosa nos guanacos, animais selvagens, que muitas vezes não resistem quando são tosados devido ao estresse e à vulnerabilidade perante às intempéries agressivas do deserto. Como seus pelos são curtos há necessidade de respeitar um ciclo mínimo de dois anos, sendo possível extrair meio quilo de lã em cada tosa de um animal adulto, enquanto as tosas nas ovelhas adultas geram em torno de quatro quilos de lã. Mais uma ação desastrosa da ganância humana.

Nossa última visita, conhecer a única vila existente na península, Puerto Pirámides, de onde partem os barcos para avistar baleias e que já foi um centro de exploração de sal hoje desativado. As casas são construídas com paredes externas de zinco e internas de madeira, pela inexistência de água para construções que envolvam o uso de cimento. A água para consumo provém de uma estação de tratamento da água do mar.

O valor individual do passeio foi de PA$195,00.

Hasta pronto, amigos!

Música: Back in the High Life Again – Steve Winwood