15° Dia – 09/01/2010 – Sábado: de El Calafate-AR a Puerto San Julian-AR = 606,6 km
Percurso: El Calafate /El Cerrito /Esperanza /Estancia San Cristóbal /Rio Gallegos /Hotel Le Marchand /Comandante Luis Piedra Buena /Puerto San Julian
Fomos dormir perto da meia noite e acordamos antes das 6h, com os mesmos sons – passos rápidos e burburinhos – provocados pela ansiedade e excitação de um grupo de meia e terceira idade, diante da visita ao Parque Nacional Los Glaciares.
Tomamos café juntos e viramos alvo de curiosidade. Durante o café esqueceram as geleiras e nos examinaram - nos mínimos detalhes – sussurrando uns para os outros. Sabem aqueles cochichos de “velhinhos e velhinhas”, em um restaurante, onde todos os presentes escutam? Pois é, tudo o que especulavam sobre nós, ouvíamos em alto e bom som.
Terminamos o café e como nossos observadores ainda estavam com a curiosidade aguçada, só nos liberaram e subiram para o ônibus, depois que respondemos todas as perguntas de uma detalhada entrevista.
Lá foram eles com um assunto quentinho até o Parque Nacional Los Glaciares e nós subimos em nossa Bela da Estrada.
Às 7h10min seguimos rumo a Puerto San Julian, com parada obrigatória a Esperanza para abastecer nossa Bela.
Estrada secundária, vazia, em ótimo estado, com o sol ainda tímido, sem vento, mas temperatura baixa (4 graus C), o que não intimidou os viajantes. Jota e a Bela deitaram o cabelo e Tana, aquecida, em sua jaqueta elétrica ligada na Bela da Estrada, terminou seu sono inacabado.
140 km depois de El Calafate entramos na Ruta 3 e fomos recepcionados com uma rajada de vento lateral e assim seguimos até Puerto San Julian, levando pesadas bofetadas dos Deus dos Ventos, sempre agressivo.
Hoje atingimos 50% do nosso projeto de viagem e já estamos sentindo o sabor da saudade, por mais algumas páginas viradas, de nossa história de vida. Despedimo-nos dos espetáculos da natureza: as Torres del Paine com suas paisagens majestosas, Punta Tombo com seus simpáticos e monogâmicos pingüins e o Glaciar Perito Moreno, tão imponente, que nos intimida e hipnotiza diante de beleza.
Os arbustos pretos com suas flores lilases e as manadas dos altivos e desconfiados guanacos estão reduzindo à medida que estamos nos afastando do sul patagônico.
Na lendária Ruta 3 cruzamos e ultrapassamos outros tantos viajantes, alguns perseguindo seus objetivos e outros retornando para seus lares.
Chegamos em Puerto San Julian pouco antes das 13h e nos hospedamos no Hotel Costanera, confortável e de nossas janelas temos a vista do mar.
As águas e ilhas da Bahia de San Julian, bem como a Península homônima, constituem uma área protegida da Província de Santa Cruz, dada a grande biodiversidade de espécies, com fácil acesso.
San Julian é uma cidade com legado histórico: a) um dos primeiros povoados instalados na Patagônia; b) aqui nasceu o nome “Regione Patagônica”; c) a primeira missa rezada em solo argentino; d) Darwin encontrou o maior acúmulo de fósseis marinhos e, mais recente (1982), a base argentina na Guerra das Malvinas.
Além das muitas espécies de habitantes (toninas overas, lobos marinhos, pingüins de Magalhães, guanacos, numerosas aves marinhas, entre outros), como atração turística destaca-se a “Plazoleta Héroes de Malvinas” que abriga o “Mirage 5 – Dagger - matrícula C-421”, avião que realizou a primeira missão sobre as Ilhas Malvinas, em 1° de maio de 1982. Participou ao todo de 11 missões.
Na “Plazoleta Héroes de Malvinas” os 56 militares que perderam suas vidas, na luta com a Inglaterra, pela posse das Malvinas, são homenageados com várias placas, sendo a mais impactante, aquela que cita todos os nomes dos heróis argentinos da guerra de 1982.
Outro ponto turístico interessante é a réplica, em escala real, da Nau Victoria, única embarcação da frota (05 naus) de Magalhães que retornou a Sevilha, com apenas 18 dos 265 homens, após sangrento motim.
Visitar a Nau Victoria é uma verdadeira viagem no tempo. Foram recriados todos os aspectos de construção e reproduzidos os objetos de uso diário, navegação e artilharia, além de vários personagens da frota de Magalhães e a história vai sendo apresentada aos turistas, em linguagem novelesca, com a utilização de recursos acústicos de ponta, para oferecer ao visitante, uma experiência de imersão no tempo (1520).
Hasta mañana, amigos!
DADOS TÉCNICOS:
TEMPOS : EM MOVIMENTO 4h53min28seg; PARADO 50min38seg; TOTAL 5h44min6seg.
VELOCIDADES: MÉDIA EM MOVIMENTO 124,0 km/h; MÉDIA TOTAL 105,8 km/h.
DISTÂNCIAS: DO DIA 606,6 km; ACUMULADA 6.112,8 km.
CONSUMO: DO DIA 13,26 km/l; ACUMULADO 12,42 km/l; Valores → 6.112,8 km / 492,22 l.
Música: Back in the High Life Again – Steve Winwood