11° Dia – 05/01/2010 – Terça-feira: em Puerto Natales-CL
Puerto Natales, pequena cidade litorânea, com menos de 20.000 habitantes, localizada no Estreito de Magallanes, que, por sua vez, une os oceanos Atlântico e Pacífico.
As casas coloridas, com os tetos verdes, contrastam com o céu cinza e o tempo frio (10 graus C), com a sensação térmica, mais baixa, provocada pelo vento gelado e pelos pingos que teimam e teimam em cair sobre os turistas desavisados.
Nas calçadas turistas, indo e vindo, de todas as partes do mundo e com a linguagem que soa palavrão para uns e melodia para outros, mas o importante é que todos se comunicam, com o papo mímica, um sorriso ou com as palavras universais: “por, favor”, “com permission”, “please”, “gracias” e outras tantas gentilezas que a troca de olhares fala por si.
E como toda cidade, não interessa o tamanho, aqui também há uma ajeitada pracinha com a igreja na frente e as pequenas árvores queimadas pelo frio completam a paisagem bucólica que representa esta pequena cidade, quase uma vila.
Hoje, dia de passeio!
“Cueva Del Milodon”
Um monumento natural, que foi moradia do Milodon, um gigante urso rabudo, herbívoro, com mais de 3 metros de altura, da fauna primitiva patagônica, extinto há 10.000 anos.
Conta à história que um alemão, Herman Eberhard, em 1895, descobriu a caverna e restos do Milodon e mais tarde, em 1899, Perito Moreno levou para Londres um pedaço de pele daquele animal com textura diferente de tudo que se conhecia, onde, após estudos, concluiu-se o tamanho e o tipo de alimentação. Como o grande urso se alimentava de vegetais, também utilizava seu rabo para se apoiar, ficar mais alto e, quem sabe, comer as folhas mais saborosas e tenras?
Por muitos anos, expedições procuraram Milodones Vivos e até hoje há estudos e escavações arqueológicas sistemáticas e estudos científicos continuam sendo publicados, patrocinados pelo Instituto de La Patagônia.
“Torres del Paine”
O Parque Nacional Torres del Paine foi criado em 13 de maio de 1959 e declarado Reserva de la Biosfera pela UNESCO em 28 de abril de 1978.
O conjunto de Paine (quer dizer azul) é um sistema montanhoso independente dos Andes Patagônicos e o parque é bem estruturado, o lixo que entra sai com o turista.
O passeio é feito por 90% do parque de ônibus ou vans, que vão parando nos mirantes para fazermos pequenas caminhadas e fotografarmos as torres, os glaciares, lagos com suas cores variando entre o turqueza e esmeralda (isso mesmo, os lagos são fantásticos), guanacos, zorros, vegetação diversificada e até os atrevidos chupins gordos e tico-ticos que circulam no meio dos bichos turistas, enquanto fazem seu piquenique sob as árvores.
Quando marcamos o passeio, um dia antes, nos recomendaram comprar alimentos para um piquenique, no nosso horário de almoço, cuja digestão é feita com uma caminhada, passando por uma ponte pencil para caminhar em um rio de rípio (pedras do degelo) que está começando a encher e vislumbrar os glaciares.
Venta muito, com rajadas de até 70 km, as pessoas são empurradas, com o vento contra ou a favor, precisando se esforçar para caminhar e às vezes até se segurar umas nas outras. O Jota ficou feliz, foi empurrado por Eolo e descobriu “que não está tão pesado assim” (gargalhadas...).
O que descrever sobre o dia de hoje, reconhecido, mundialmente, como um dos passeios mais belos? Os lagos esmeralda e turquesa? As torres brigando com as nuvens para se mostrarem e podermos fotografá-las? Os guanacos, em bandos familiares (grupos maiores), de solteirões convictos (grupos menores) ou os vagabundos (não querem nada com nada e vivem solitários), que fogem desconfiados dos turistas ansiosos por fotografá-los? E os pequenos tico-ticos andando no meio dos turistas para roubar migalhas de lanche, comida fácil?
O dia de hoje foi tão especial que as fotos são a melhor descrição do que vimos, sentimos e conhecemos.
Hasta luego, amigos!
Música: Back in the High Life Again – Steve Winwood