Dia a Dia – Puerto Natales 2009/10


7° Dia – 01/01/2010 – Sexta-feira: em Trelew-AR

Primeiro dia de mais um ano de nossas vidas. Cá estamos! Hóspedes únicos, em um belo casarão, estilo colonial, de 1896, do Touring Clube. É administrado por uma simpática e doce senhorinha (Pepa Fernández), com idade beirando os 85 anos, e seus dois filhos sessentões (Luis e Rafael), simpáticos e falantes.

Há, também, uma lanchonete anexa ao hotel, ponto de encontro de várias gerações argentinas, que ficou movimentada a tarde toda e parte da noite, com ótimos e fartos lanches.

Ontem à noite, “donos do casarão”, fizemos uma excursão interna, subindo e descendo escadas, conhecemos todos os corredores, até descobrirmos que várias escadas convergem ao centro do casarão com uma suntuosa escada em mármore e ficamos brincando “que tal um filme de terror, por acá?”. Cada um sabia onde se esconder, caso aparecesse o “fantasma da serra elétrica”.

Em função do feriado não há excursões para Punta Tombo ou Península Valdés. Contratamos, então, o Sr. Portillo, taxista conhecido dos donos do hotel, para irmos visitar os pinguins de Magalhães.

É um dos maiores espetáculos da fauna silvestre no mundo e não existe outra colônia de pingüins, com a magnitude de Punta Tombo, acessível.

No final de agosto e durante setembro chegam os machos adultos e vão até suas tocas deixadas no ano anterior. Em outubro chegam às fêmeas e vão ao encontro dos seus machos nas mesmas tocas. Novembro mês de procriar os ovos chocados durante 35 a 40 dias. Dezembro a praia está repleta de adultos cuidando de suas plumagens e dos seus filhotes que reclamam de fome incessantemente. O tráfego na praia fica intenso, adultos indo e vindo do mar com comida para os filhotes. Janeiro, mês de troca de plumagem e primeiros passeios no mar, para os filhotes. Fevereiro e março os machos adultos abandonam Punta Tombo, seguidos das fêmeas e por último vão os filhotes já com sua plumagem trocada. De maio a julho, vida no mar e viagens migratórias superiores a 6.000 km.

Praticam a monogamia e a fidelidade conjugal. Passam a maior parte de suas vidas no mar, inclusive, dormem nele. Também utilizam grande parte do seu dia cuidando da sua plumagem, limpando e ordenando as penas com o seu bico, assegurando, dessa forma, a impermeabilidade por uma secreção que eles mesmos produzem.

Hoje vimos e fotografamos um solteirão atrevido. Chegou “sem casa e sem amor”, alojou-se em uma toca alheia e levou uma surra. Humilhado e sofrido estava parado sob uma das passarelas de madeira, olhando, consumido, os poucos turistas boquiabertos e maravilhados.

A diferença que percebemos, comparativamente a 2003, é que estão fazendo suas tocas bem distantes da praia, vivendo quase em cima uns dos outros. Hoje assistimos todo o ritual diário, muitos deles nadando, outros dormindo, tomando sol ou se agrupando para descansar à sombra dos arbustos, sempre ouvindo o piar sibilante e continuado, em toda a reserva. Os filhotes, já grandões, grudados uns nos outros, arriscavam um banho de sol.

Terminado o passeio retornamos a Trelew com o simpático e bonachão Portillo, que nos contou as histórias da região, entre elas o porquê de 22 km da estrada ainda serem rípio. Disse ele que três empresários, um brasileiro, um peruano e um italiano tentaram comprar as terras ao redor da reserva, que tem uma única proprietária, moradora na reserva e criadora de carneiros (que estavam circulando entre os pinguins). Além de não vender suas terras, com a intenção de proteger a reserva, proibiu o asfalto para dificultar o turismo descontrolado. Nem todos são corrompidos pela ganância.

Ainda sobrou tempo para visitarmos o Museo Paleontologico Egidio Feruglio, um dos museus mais importantes do sul da América do Sul. O museu é muito bem estruturado e os fósseis são realmente impressionantes. Apesar do feriado o guardião nos deixou entrar depois que nós desejamos a ele um simpático Feliz año.

Hasta pronto!

Música: Back in the High Life Again – Steve Winwood