Dia a Dia Peru Norte – 2012

>18° Dia – 18/09/2012 – Terça-feira: San Pedro de Atacama a Susques-AR = 276 km

Percurso: San Pedro de Atacama /Paso de Jama /Susques.

Vencidos pela natureza!

Pouco antes das 8h, estávamos na aduana, aguardando para recebermos o visto “bota fora” do Chile, fomos os terceiros da fila sem imaginar, que o chileno à nossa frente seria nosso anjo da guarda.

O tempo estava nublado, 10 graus C em San Pedro, estrada vazia, ainda é feriado, felizes que chegaríamos cedo em Purmamarca, o povoado das montanhas coloridas.

Na subida ao Paso de Jama, o vento foi ficando cada vez mais forte, a temperatura caiu a -6°C, com sensação térmica mais baixa, e aos 4.826 metros de altitude acima do nível do mar, a neve chegou, junto com o vento muito gelado. Os aquecedores da Juku e as roupas quentes não amenizavam o frio. Foram os 162 km mais longos de nossa história motociclística, pelo menos foi o que dissemos quando chegamos à aduana.

Nada poderia ser pior, comentamos! Esperamos o caminhão abastecer os depósitos do posto de gasolina, completamos o tanque da Juku e lá fomos para a estrada!

O céu por poucos quilômetros ficou aquele azul turquesa que dá segurança a todos os viajantes e o suspiro de alívio dizia “agora é só tocar com atenção”.
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Olhando à frente, mal víamos as montanhas parecia cerração forte ou, mesmo chuva, com o vento dançando conosco e a Juku, baixinha e pesadona, carregada por bagagem e dois pesadões, principalmente o piloto, enfrentava o vento e nos dava segurança. A Tana pensou: “se fosse a GS que é alta, cairíamos com certeza”.

Entramos em uma tempestade de areia com vento em torno de 90 km/h. O Jota foi pilotando entre 15 e 20 km/h, pois era impossível andar mais rápido – não se via nada além de 5 m, guiado pelas faixas branca ou amarela e quando tinha curvas, a angústia crescia.

A tempestade de areia é o fenômeno mais assustador que já passamos em nossas andanças pela estrada, a neve que tinha nos assustado algumas horas atrás perdeu a importância.

O Jota segurando a Juku com muita força, levando bofetões do vento e da areia, e a Tana conversando com seu anjo da guarda, o pai falecido, pedindo que a tempestade passasse.

Faltando 45 km para chegarmos a Pastos Chicos, complexo turístico, em Susques, na Argentina recebemos um bofetão tão forte que nos jogou para o acostamento. Graças à velocidade baixíssima fomos deslizando, não nos machucamos e de imediato passou ao nosso lado o casal chileno que conhecemos na aduana.

Pararam, nos ajudaram a erguer a moto, o Jota testou, tudo funcionando, a Tana foi de carona com a família chilena e o Jota atrás trazendo a Juku. O casal disse que estavam controlando a luz da moto e há poucos quilômetros a perderam de vista, sem qualquer visibilidade. Aguardaram um pouco, como não víam a luz da moto, retornaram.

O Jota parado no acostamento porque não enxergava. Para atravessar a pista, de carro, foi na sorte, devido à densidade da areia. Firmamos a Juku no acostamento e a família nos trouxe até Pastos Chicos a 5 km de Susques, com o carro balançando e areia batia com tanta força na lataria que parecia jato para limpeza de metais.

Ao chegar ao restaurante descobrimos que ontem e hoje aconteceram fenômenos esquisitos em grande parte da Argentina, disse-nos a senhora do restaurante.

Em Santo Antônio de Los Cobres, próximo a Salta, ontem foi constatado vento de 120 km e todos (chilenos e argentinos) dizem que a forte chuva ocorrida em fevereiro desequilibrou o clima.

Almoçamos, esperamos aliviar o vento, a Tana ficou em Pastos Chicos e o Jota foi de carona a Susques, procurar um veículo para trazer a Juku ou nossas roupas.

Enquanto o Jota tentava trazer a Juku para Pastos Chicos, a Tana reencontrou um casal (que tinha conhecido no posto próximo à aduana) que estava retornando para Corrientes, onde moram, porque o objetivo de ir a San Pedro de Atacama fora abortado.

A estrada estava coberta de gelo e nevando forte, assim como estavam assustados com a tempestade de areia, começada após terem passado pela estrada.

O Jota, depois de muita procura e espera, conseguiu em Susques uma F100 (1973) para trazer a moto A camionete só andava em segunda marcha e não passava de 20 km/h (uma novela). Não foi possível colocar a “pesadona “na camionete e então, o Jota a trouxe rodando. Pagamos o carreto mesmo assim.

Ás 16h30 já estávamos todos hospedados Jota, Tana e Juku, o céu estava azul, sol alto e vento congelando. Agora escutamos o vento muito forte, estamos aquecidos com os poucos viajantes que estão aguardando o Paso de Jama abrir.

O hotel é simples, com banho muito gostoso e as pessoas que aqui trabalham são simpáticas e atenciosas.

Amanhã vamos limpar a Juku, guardá-la aqui no hotel e retornamos para casa de avião, mas antes viajaremos de ônibus entre os vilarejos, até chegar a Jujuy, Salta ou Córdoba para pegarmos o melhor voo.

O Ique, dono da Concessionária BMW em Curitiba, vai mandar buscar nossa K1600 GTL, que fará companhia a outra moto, uma Suzuki DR800, guardada dentro do hotel à espera do seu retorno.

Ficamos brancos de areia, quando entramos no hotel com os bauletos, previamente passados um pano, deixamos um rastro de pó, e ao abri-los no quarto escorria areia como se tivéssemos aberto uma torneira.

Não nos machucamos, porque escorregamos na areia fofa do acostamento em baixíssima velocidade, mas como o Juku tomou muita areia, achamos prudente levá-la transportada.

Quando estávamos fechando o relato deste dia, adentraram ao restaurante dois motociclistas chilenos, que vieram de Cafayate e nos disseram que em vários trechos de estrada haviam árvores decepadas pela força do vento.

Assim, com quase 6.700 km rodados, Jota&Tana encerram o seu SETEMBRO SOBRE DUAS RODAS

Evitar o perigo não é, a longo prazo, tão seguro quanto se expor ao perigo. A vida é ou uma aventura audaciosa, ou não é nada. A segurança é geralmente uma superstição. Ela não existe na natureza."

Helen Keller

HOSTAL PASTOS CHICOS

ENDEREÇO: Ruta Nacional 52, Casas Quemadas – Susques - AR

TELEFONE: 0021 54 (0388) 423 5387

WEB: www.pastoschicos.com.ar

DIÁRIA CASAL: (R$): 170,00 (só tinha quarto quíntuplo – mais caro)

NOSSA AVALIAÇÃO: BOM

DADOS TÉCNICOS:

TEMPOS: a) em movimento = 3h03min; b) parado = 6h17min; c) total = 9h20min.

VELOCIDADES: a) Média em Movimento = 90 km/h; b) Média Total = 29,58 km/h.

DISTÂNCIAS: a) Do dia = 276 km; b) Acumulada = 6.697,6 km.

CONSUMO: a) Do dia = 17,34 km/l - parcial; b) Acumulado = 15,07 km/l - parcial; c) Fatores >6.583,6 km > 436,94 l.

Música: 100 metros – Amaia Monteiro.