Dia a Dia Peru Norte – 2012


8° Dia – 08/09/2012 – Sábado: em Rio Branco-AC-BR

Frustração só para ficar com vontade de voltar!

Parque Chico Mendes - há 10 km do centro de Rio Branco, no início da manhã, contratamos um táxi e lá fomos nós. A expectativa era conhecer animais silvestres, a vegetação nativa, uma oca indígena, uma bela caminhada pelo parque e ouvir dos moradores a história de Chico Mendes, seringueiro e líder sindical, assassinado em 1988.

Quando nos dirigíamos ao parque, pela Avenida Chico Mendes, construída há pouco mais de um ano, o motorista de táxi melancólico começou a falar: “Chico Mendes, não era nada, precisou morrer para ser famoso” e o pior, seu ideal morreu com ele eos seringueiros continuam sendo explorados, abandonados e esquecidos lá em Xapuri.

Continuou falando, como se estivesse pensando alto, “toda a ajuda financeira que veio da Alemanha, da França e dos EUA foi usada para enriquecer algumas pessoas (e nominou uma a uma), que foram expulsas de Xapuri, pelos seringueiros revoltados quando souberem que veio ajuda para criar uma associação e o dinheiro foi desviado” e repetiu: “coitado do Chico Mendes e de sua luta em vão, os seringueiros continuam sendo explorados, estão abandonados e ninguém mais liga pra eles”.

Quando chegamos ao parque veio à decepção e a frustração, o parque estava fechado há três dias e assim continuará por mais cinco dias devido a um temporal que derrubou árvores e destruiu as moradias dos animais silvestres, muitos ainda escondidos no parque e que ainda estão sendo recapturados. Por mais que a Tana implorasse para entrar só para tirar umas fotos, o segurança foi irredutível “por medida de segurança aos visitantes e aos animais”, disse ele.

Retornamos a Rio Branco, capital do estado do Acre, com aproximadamente 350.000 habitantes, 150 m acima do nível do mar (está mais próxima do Oceano Pacífico do que do Atlântico), rodeada pela selva e por um clima que varia entre 30 graus C e 34 graus C.

Tudo gira ao redor do rio Acre, que tem sua nascente no Peru e divide a cidade em duas partes, de um lado o centro histórico e de outro a cidade nova.

A ponte dos pedestres, conhecida como Passarela, é um dos cartões postais da cidade. Em um lado, está a Gameleira, lugar onde nasceu Rio Branco com calçadão, pequenas casas coloridas de madeiras e árvores frondosas, que demarcam o antigo porto, onde ancoravam as primeiras embarcações da cidade. Em outro lado do rio está o centro histórico, um calçadão com bares, comércio de tudo que se possa imaginar e espaços culturais com artistas locais expondo suas obras.

O bairro histórico é considerado a melhor região da cidade para encontrar artesanatos, bombons de cupuaçu, açaí cremoso e outras delícias regionais. O destaque é o prédio do Mercado Velho e as estátuas em frente, representando típicos acreanos.

Na margem esquerda do Rio Acre, também estão situados o centro administrativo do estado, museu e praça em frente ao palácio do governo com um obelisco branco que homenageia todos os heróis que contribuíram para a conquista do território do Acre, que pertenceu à Bolívia.

Conta-se que o governo boliviano pretendia expulsar os brasileiros que extraíam a borracha e entregar o território aos estrangeiros que queriam explorar a borracha. Revoltados, os brasileiros se recusaram a partir, declarando a autonomia do Acre como um estado Independente e, finalmente, território do Brasil.

A Praça dos Seringueiros é um dos locais mais bonitos de Rio Branco. Um memorial a Chico Mendes foi construído nesta praça.

Outra praça interessante é a Praça Plácido de Castro, que homenageia o próprio coronel Plácido de Castro, que, como informa o texto na base do monumento, "teve a ousadia de confrontar o exército boliviano e o grande capital internacional durante a conquista do Acre". Ao redor desta praça estão a prefeitura, os pontos comerciais, bancos, restaurantes e comércio em geral.

A Catedral Nossa Senhora de Nazaré é um marco arquitetônico da região amazônica. É uma obra em estilo romano, com três naves, vitrais coloridos e a abóbada em arco, sustentada por colunas em estilo romano.

Uma grande área de Rio Branco foi urbanizada com a construção de um canal hidráulico e ao longo de suas margens foi construído um belo parque, dotado de ciclovias, pistas de corrida e de caminhada, recantos para exposições e centro de artesanato.

Esta é Rio Branco, uma pequena e simpática cidade do norte do Brasil, com eclética mistura de raças, brancos, negros, indígenas e vizinhos dos países andinos, que aqui criaram uma singular atmosfera de costumes, raças e culturas. É um Brasil que não parece o Brasil.

Almoço regado a comidas típicas
Sol escaldando nossas cabeças, após passar a manhã explorando a cidade a pé, fomos à procura do centro gastronômico de Rio Branco.

Caminhamos em torno de cinco quadras e chegamos ao Inácio’s Restaurante.

O Jota, que tinha feito às pesquisas disse: vamos dar uma olhada e seguimos adiante para escolher o cardápio mais típico aqui do Acre, certo?

Certíssimo Jota, responde prontamente a Tana.

Foram recepcionados com simpatia, ar condicionado do jeito que precisavam, visual atraente e um belo buffet de saladas.

Entraram, sentaram e foram informados sobre o cardápio do dia: feijoada e rodízio de carnes.

De típico acreano? Apenas o suco de cajá e o açaí cremoso na sobremesa
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Até amanhã, em Puerto Maldonado, no Peru!

Música: 100 metros – Amaia Monteiro.