Dia a Dia – Peru 2009


23o dia – Sábado - 24.01.2009: de San José de Metán-AR a Presidencia Roque Saenz Peña –AR


Percurso:
San José de Metán /Rosário de La Frontera /Rapelli /Pozo Hondo /La Banda /Taboada /Suncho Corral /Quimilí /Gancedo /Charata /Campo Largo /Avia Terai /Presidencia Roque Saenz Peña

Cá estamos nós, a dois dias de chegar a nossa casa e com vários desafios superados. A chuva forte, Eólo veloz e bailando com nossa Bela da Estrada quase todos os dias e hoje, então, com muito mais intensidade, até parece que ele sabe que estamos nos despedindo.

Areia no asfalto, pista única transitável onde o companheirismo impera e o veículo maior dá espaço para o menor, água suja jogada por ônibus, caminhões e carros, ora sentindo o desconforto do frio abaixo de zero e algumas horas depois o desconforto do calor (hoje superior a 40 graus C), que nos dava a sensação que nossa Bela estava pegando fogo e nos queimando. Quando olhávamos para baixo, que nada, era apenas o calor do asfalto e nós com toda aquela vestimenta pesada de cordura com balaclava e “casco” na cabeça. Tudo parecia inchado, pés, mãos e cabeça.

Quando parávamos para abastecer nossa Bela, bebíamos energético, água ou refrigerante como se fosse a última bebida do mundo.

Nas curvas e buracos a Tana se agarrava no Jota, naquele apertado banquinho, tão curtido ontem “para um tentar aquecer o outro” e hoje por segurança, mas com uma vontade louca de arrancar roupas e capacetes, tudo para manter o equilíbrio, no princípio do corpo único e garantir nossa viagem com segurança e respeito à estrada e Eólo.

Em todos os dias de nossa viagem uma surpresa, hoje bastante cansados, Jota com os dedos da mão direita amortecendo e Tana com ânsia, tentando controlar o vômito. Com certeza, eram nossos cérebros sinalizando que estávamos com cansaço acumulado e nossos corpos estavam próximos do limite.

Mas estamos felizes, nos sentindo mais fortes, leves e sem aquelas marcas de expressão do dia a dia, seja saindo de um dia estressante de trabalho ou mesmo dirigindo em horário de rush, sentados com conforto em nosso carro, com ar condicionado onde podemos regular a temperatura que nos dá mais conforto e ouvir as musicas que mais gostamos, seja em CD ou aquela rádio (Ouro Verde ou Transamérica Light) preferida.

Durante a viagem lembramos as emoções, as expectativas e os desafios vividos nesses vinte e dois dias. Também cruzamos com muitos caminhoneiros, motociclistas, motoristas de veículos de passeio que nos cumprimentavam jogando luzes, acenando ou buzinando, além de trabalhadores da estrada e quando parávamos nos postos faziam questão de nos cumprimentar e conversar conosco. Saber de onde vínhamos, para onde íamos e aproveitavam para namorar a nossa Bela.

O “bandeirinha” de uma barreira de manutenção da estrada, pegou seu celular e pediu licença para sacar una foto de nós montados na Bela.

Com admiração vimos dois casais, em momentos diferentes, atravessando as mesmas estradas que nós, de bicicleta e mochila nas costas e comentamos: “e nós é que somos os destemidos...”

Outra lembrança que ficará para sempre em nossas memórias é do casal de italianos que encontramos na aduana, saindo da Argentina, quando o piloto, arrastando um italiano com espanhol, chamou a Tana de lado, e pediu para que ela mirasse a moto deles, enquanto faziam o trâmite da aduana. Quanto confiança depositada em uma estranha, ao largar todos os pertences sob a sua responsabilidade e no dia a dia, desconfiamos dos colegas de trabalho com quem convivemos há mais de uma década. Assim são os motociclistas e outros “estradeiros”.

Na estrada somos todos solidários, nos protegemos e nos ajudamos, pois nos despojamos das pré-concepções e máscaras. Todos estamos buscando um sentido para nossas vidas e tentando romper as inseguranças, medos e nos fortalecermos, redescobrindo o quanto somos frágeis perante a natureza.

Temos a convicção que estamos retornando para nossa casa diferentes, mais fortes, mais pacientes e com o firme propósito de valorizar cada experiência vivenciada individualmente ou juntos, pois nós dois – Jota e Tana – sabemos o quanto esta viagem acrescentou em nossa história de vida.

Encerramos nosso dia, lanchando sanduíches completos de mignon no mesmo bar que comemos há três anos, com o mesmo garçom velhinho e o mesmo calor escaldante. Ao regressar ao hotel, tivemos o privilégio de ver as primeiras fotos de uma noiva, cuja festa será no salão de festas do hotel.

Amanhã é dia de chegar à aduana de Bernardo Yrigoyen e dormir em Barracão ou, então, dormir mais uma vez em Capioví (AR) em um hotel de beira de estrada, cuidado por mulheres e impecável na higiene e nos detalhes que tornam o hotel um lugar confortável, com banho revigorante e refeição que lembra “aquele tempero que tanto gostamos”.

Tudo dependerá de como a Natureza vai nos tratar.

DADOS TÉCNICOS:


TEMPOS : EM MOVIMENTO 5h40min23seg ;PARADO 1h12min52seg; TOTAL 6h53min15seg.

VELOCIDADES: MÉDIA EM MOVIMENTO 127,2 km/h; MÉDIA TOTAL 104,8 km/h.

DISTÂNCIAS: DO DIA 721,7 km; ACUMULADA 8.473,6 km.

CONSUMO: PARCIAL 15,14 km/l; ACUMULADO 14,74 km/l; Valores → 8.439,8 km / 574,0 l.

Música: Green Slevees – Besta Instrumental