Dia a Dia – Peru 2009


22o dia – Sexta-feira - 23.01.2009: de San Pedro de Atacama-CL a San José de Metán-AR


Percurso:
San Pedro de Atacama /Aduana Paso de Jama /Susques /Purmamarca /Volcán /San Salvador de Jujuy /General Güemes /San José de Metán

Despedimo-nos do Chile!

Visitamos São Pedro de Atacama e lá também presenciamos a cidade perdendo o encanto e o misticismo (ainda sentidos há três anos), para o turismo. A Calle Caracoles virou um calçadão, com uma camada de cimento e luminárias em postes de madeira, todos desenhados com imagens místicas.

Encontramos no hotel um casal de catarinenses, de São Bento do Sul, que tínhamos conhecido no Encontro de BMW, em Aguativa. Estavam voltando da Venezuela, Bolívia e Equador numa GS 1200.

Chegamos à aduana pouco antes das 8h e já tinha uma pequena fila. Logo em seguida a fila cresceu de forma assustadora e nós estávamos entre os dez primeiros pequenos grupos a sair do Chile. Em menos de 15 minutos assunto resolvido. Atravessamos o Paso de Jama com muito frio, Eólo abrindo seus sacos de vento congelantes e lá estávamos nós três: a Bela da Estrada carregando o Jota e a Tana desabrigados e com saudade do calor de ontem sem saber que pouco mais adiante já sentiriam saudade do frio que ora estavam sentindo. Chegamos a conviver com -1 grau centígrado nas altitudes.

Tana que havia dormido quase toda a viagem no dia anterior, hoje ligada resolveu tirar as luvas para sacar las fotos. Mal conseguiu registrar o Vulcão Liccancabur com seu topo nevado e seus dedos já tinham congelado. Conseguiu conviver, em poucos minutos, com a sensação dos alpinistas e suas maravilhosas histórias de sobrevivência e agradecimento a Pachamama quando voltam vivos, mesmo com os dedos das mãos ou dos pés mutilados pelo frio intenso.

Chegamos à aduana argentina em torno de 10h, pouca gente, policiais se esquentando ao sol e também em menos de 15 min estávamos oficialmente na Argentina. Tomamos bebidas quentes (café e chá) para nos aquecer um pouco e lá fomos nós rumo ao Hostal Pastos Chicos, onde abastecemos e almoçamos tranquilamente.

Assim que saímos da aduana vimos o posto YPF, novinho, em pleno funcionamento, atendendo um carro e um motociclista. Nossa Bela da Estrada, sob o comando do Jota passou reto seguiu comportada, respeitando a estrada nevada e com muitas pedras soltas espalhadas nas curvas pra lá de sinuosas. Acelera, freia, reduz marcha e mais o frio não criaram aquele clima de “tenha um bom sono garupa”.

Como nada é igual, hoje ao passarmos pelo salar Salinas Grandes vimos muitos turistas com seus veículos dentro do salar, andando, sentados, correndo e até deitados sobre aquela quantidade fantástica de sal. Outra novidade é que a casa construída de sal (que já foi um parador para os turistas) está transformada em escritório e alojamento de um acampamento de extração de sal.

Como tudo correu perfeito e mais rápido do que prevíamos, adiantamos 160 km do nosso programa de quilometragem diária. Ao invés de parar em Jujuy quando por lá passamos às 14h, seguimos até Metán. Em Jujuy a temperatura devia estar na casa dos 30° centígrados. De -1 a 30° em 5 horas não é mole. Sem falar da altitude que variou de 4.800 a 740 m.s.n.m.

Estamos hospedados no Hotel La Rabida, o melhor da cidade e segundo o Jota está bem melhor do que há três e meio, quando o “dindo” e seu afilhado Carlão cá estiveram para reconhecer o território e garantir conforto para suas garupas na futura viagem ao Atacama. Metán é a famosa cidade onde há uma passagem comprometedora da dupla, pedindo às recepcionistas para ver o quarto de casal em um dos hotéis. Começamos a rir, imaginando a cena dos dois marmanjões, pedindo para conhecer o quarto de casal.

Uma coisa que nos chamou a atenção é certa decadência nos postos da rede YPF. Por outro lado, conhecemos uma rede de nome Refinor que, pelo menos nesta região da Argentina, está apresentando serviços e atendimento de primeiríssima qualidade.

Amanhã, em princípio seguiremos até Presidencia Roque Saenz Peña (760 km) e dependendo das condições da estrada (trecho com muitos buracos) aliadas às condições dos viajantes descansamos ou seguimos em frente. Decidiremos na hora, respeitando Pachamama e a estrada, pois segundo nosso filhote Ricardo (escreveu o texto hoje, lá em Istambul, dia em que completou 31 anos):

"A Estrada não conhece o bem e o mau, o certo ou o errado... Não possuı memórıa e não julga, não absorve a mágoa, perdoa o fardo... Para quem não ımporta ır ou fıcar, não teme ódıo ou amor... Se move com propósıto, sorrı com a vıda, aprende com a dor... Aquele que arrısca a perder o medo, perde o medo de arrıscar... O que é isso se não uma estrada, camınho da alma a trılhar..."


DADOS TÉCNICOS:


TEMPOS : EM MOVIMENTO 6h08mi02seg PARADO 1h57min09seg; TOTAL 8h05min11seg.

VELOCIDADES: MÉDIA EM MOVIMENTO 105,1 km/h; MÉDIA TOTAL 79,7 km/h.

DISTÂNCIAS: DO DIA 644,0 km; ACUMULADA 7.731,9 km.

CONSUMO: PARCIAL 15,87 km/l; ACUMULADO 14,70 km/l; Valores → 7.773,4 km / 526,23 l.

Música: Green Slevees – Besta Instrumental