Dia a Dia – Peru 2009


19o dia – Terça-feira - 20.01.2009: de Moqueguá-PE a Iquique-CL


Percurso:
Moqueguá /Sorzano /Estación Hospício /Quebrada Honda /Cabeza de Vaca /Tacna /Villa Fontera /Arica /Cuya /Huara /Alto Hospício /Iquique

Peru! Dez páginas viradas, mas somente do nosso roteiro de viagem. Sua natureza, seu povo, suas crenças já fazem parte de nossa história de vida e vamos mantê-la presente, em nosso dia a dia, com algumas artesanias que serão espalhadas em nossa casa, além de muitas fotos e alguns vídeos.

Quando nos preparávamos para sair do hotel, vimos estacionadas três KTMs que chegaram à noite. Argentinos de Córdoba, vindo de Ushuaia rumo ao Equador. Suas motos estavam exageradamente carregadas e duas delas com pneus no lugar da garupa. Conversamos rapidamente com um dos argentinos, tão madrugador quanto nós.

Às 6h10min da manhã peruana já estávamos na estrada, com clima gostoso, fresquinho e “céu azul de brigadeiro”. O deserto parecia ser somente nosso. Vez ou outra, cruzávamos com um veículo. Na entrada de Tacna, o Jota metido quis cortar caminho e acabou preso numa “muvuca” de táxis, ônibus e vans frente a um mercado de rua. Chegamos à aduana peruana às 7h05min e mal tinha reforçado o filtro solar no rosto e tirado a jaqueta para refrescar e já vejo o Jota retornando. Pensei o que será que ele esqueceu e para minha surpresa, já estávamos liberados para partir, em aproximadamente 10min.

Alguns metros depois a entrada para o Chile e lá não foi tão simples. Poucos turistas passando, mas o processo burocrático é mais complexo. O pobre do Jota teve que tirar os bauletos pesados (principalmente o das compras) e passá-los, um a um, na esteira RX. De longe assistia o sacrifício do piloto, com toda aquela vestimenta de viagem, suando em bicas, se batendo com nossa bagagem e o fiscal ao meu lado, me mandou ficar ali até ele passar no guichê de liberação da Bela da Estrada. O fiscal que estava atendendo ficou solidário e tentou ajudá-lo, liberando-o de tirar a mala de tanque.

Até o momento de prejuízo, além do suporte do GPS, apenas o miolo de uma das fechaduras do bauleto que está levando nossas compras. Acho que foi praga ursal!

Após intermináveis 50 min entramos no Chile, às 10h05min, aliviados ao perceber que chegaríamos com tranqüilidade a Iquique.

Iniciamos nossa jornada pelo deserto chileno com o Jota e a Bela deitando o cabelo naquela estrada lisinha e vazia. Mas, logo, logo, Eólo mostrou aos dois quem manda no deserto e enquadrou tanto o piloto quanto sua Bela da Estrada, obrigando-os a diminuir o ritmo, principalmente nas curvas. Novamente o deja vu, entre tapas e beijos de Eólo, nós chegamos a Iquique pouco antes das 15h, com parada para o almoço em um posto COPEC.

O deserto é um desafio a qualquer animal, pois cedinho e à noitinha é muito gelado e das 10h às 16h um calor quase insuportável apesar da força e velocidade de Eólo. Hoje conseguimos fotografar um dos milhares de redemoinhos formados no deserto com o pó. Parece fumaça de tão denso e ao cruzar a estrada (como hoje) no meio de um deles a força e velocidade são tão fortes que nos jogaram de uma pista para outra como se fôssemos um brinquedo.

Iquique é deslumbrante, imponente e vamos conhecê-la amanhã. Hoje chegamos da estrada para o Hotel Barros Aranha, pelos fundos, direto na garagem e, para nossa felicidade, ficamos no mesmo apartamento de 10 dias atrás.

Roupas lavadas, varal improvisado, piscina curtida com direito a hidromassagem para o Jota, banho tomado e no momento estamos descansando (19h15min) para sair jantar quando escurecer e amanhã passear pelo litoral e pelos pontos turísticos da cidade.

O céu continua com “aquele azul de brigadeiro”, aqui escurece depois das 21h e está fazendo um calor delicioso. Ontem abaixo de 5°, muito vento gelado, neve, acima de 4.700 m de altitude e hoje, bem hoje, nível do mar, aquela brisa fantástica e a rua sem os “bip bip” peruanos. Os motoristas chilenos respeitam as regras de trânsito universais, têm postura de direção defensiva, mas atropelam os pedestres que bobearem, mesmo em cima da faixa.

A zona franca já está conhecida e até uma máquina fotográfica fomos obrigados a adquirir. Agora é aguardar o amanhã para passear e começar as despedidas das coisas boas, hoje do pisco sour, amanhã de Iquique e a partir de São Pedro do Atacama com a expectativa de chegar bem em casa.

DADOS TÉCNICOS:


TEMPOS : EM MOVIMENTO 4h56mi53seg; PARADO 1h40min43seg; TOTAL 6h37min36seg.

VELOCIDADES: MÉDIA EM MOVIMENTO 105,5 km/h; MÉDIA TOTAL 78,8 km/h.

DISTÂNCIAS: DO DIA 522,3 km; ACUMULADA 6.621,9 km.

CONSUMO: PARCIAL 14,92 km/l; ACUMULADO 14,68 km/l; Valores → 6.597,1 km / 449,23 l (parcial).

Música: Green Slevees – Besta Instrumental