Dia a Dia – Peru 2009


15o dia – Sexta-feira - 16.01.2009: em Cusco-PE


Casa Andina, uma rede com 17 hotéis, espalhados em 8 cidades do Peru e só em Cusco, 6 unidades. Confortável, com os profissionais hiper atenciosos e simpáticos, com decoração andina e merece o destaque no relatório de hoje por um detalhe especial, que dá o clima de bem-estar e tranqüilidade aos hóspedes. Há alto-falantes direcionados aos quartos, tocando músicas andinas instrumentais; vamos dormir com aquele som suave e acordamos da mesma forma.

Nosso dia foi especial. Logo após um farto café, misturado com um grupo de turistas americanos da terceira idade (estamos quase lá, por enquanto somos pré), fomos até San Blas, um bairro cultural com muitos ateliês e lojas de artesanato com obras dos próprios artistas. Lá compramos mais objetos para decorar nossa casa e descemos até a Plaza das Armas, rumo ao mercado central, em busca de balas de coca.

Sempre que viajamos procuramos conviver com o povo, pois acreditamos assim realmente conhecer a cultura do local visitado. Chegamos ao bairro San Pablo, outro mundo, lá é onde o povo vive e faz suas compras.

O mercado dá uns quatro municipais de Curitiba, de tão grande e diversificado. São dois andares e há uma área só para alimentação, onde as pessoas sentam ao redor de umas mesas compridas e comem de tudo, são restaurantes populares onde comem, cozinham, lavam louça, preparam e servem à alimentação, tudo junto, com a mesma mão que lavam a louça em bacias ou baldes servem as pessoas, que, por sua vez, não ligam e vão comendo. É “muvuca” pura para os nossos padrões culturais, mas, ao mesmo tempo, é muito gostoso conviver com os olhares sofridos e sorrisos muito simpáticos.

Já os peruanos ambulantes são cansativos e irritantes, vêm com seus produtos por cima da gente, de forma muitas vezes atrevida e agressiva e agora falando em inglês.

Fotografamos uma barraca de mandinga, decorada com fetos mumificados de porcos, cães e lhamas. Também receitas de feitiços e simpatias e outros objetos para fazer qualquer um se impressionar, até o mais incrédulo.

Ao sair do Mercado Central, por uma porta lateral, para minha felicidade, o Jota descobriu uma quadra de feria de telas, traduzindo, lojas de tecidos e lá fomos nós em busca de um tecido com as figuras de Nasca, que até o momento não tínhamos encontrado. Fomos entrando de loja em loja e na última, lá estava o tão sonhado tecido. Parecia uma criança de tão feliz que fiquei. Compramos quatro metros e vamos mandar fazer um jogo de toalhas para as nossas salas de jantar e de TV.

Compras feitas, felizes com as aquisições, sentamos na Plaza de Armas e nos despedimos de Cusco,
porque amanhã seguiremos para Puno.

Nossa bagagem pessoal foi amontoada no bauleto menor, porque o maior está cheio de peças lindas, nossas compras. Até o saco impermeável de compressão ficou mais gordinho.

Apesar de lotados com as compras recebemos uma encomenda de última hora da minha linda afilhadinha. Ela pediu para comprarmos um livro pequeno, escrito por autor espanhol, sobre a história de Machu Picchu, trilha inca e “sai com sua mãe” (Sacsayhuaman - ruínas próximas a Cusco). Fomos a todas as livrarias e lojas na Plaza es Armas e arredores e vamos frustrá-la, pois não encontramos o livro. Somente bibliografia direcionada ao turismo.

Já recebemos a confirmação que a greve dos campesinos acaba hoje às 18h. Assim, viajaremos sossegados.

À tarde começou a chover, com raios e trovões e vamos torcer que São Pedro esvazie sua bexiga até amanhã cedo, pois precisamos de 400 km, com Pacha mama seca.

Temos recebido e-mails da família e dos amigos compartilhando conosco essa aventura e com tantas energias positivas voltadas para nós só pode dar tudo certo, claro que, somado com o planejamento e a previdência do piloto. Todas as noites o Jota repassa o trajeto, confere no Google Earth e na manhã seguinte lá vamos nós, sabendo para onde e que tipo de estrada esperamos encontrar (nem sempre o mapa conta a verdade, ainda bem).

Outros detalhes importantes da viagem são que não estamos engordando e temos tomado cusqueña (que delícia) ou pisco sour (perfecto!), bebidas tipicamente peruanas. Mas o mais importante, bacana e fantástico é que estamos fazendo tudo junto, compras, passeios, sustos, expectativas, reflexões e os diários, onde cada um coloca suas emoções no diário desta Motoaventura, que foi planejada para ser Mototurismo. Hoje ao lermos à mensagem do Carlão comentamos que até aqui é temeroso colocar as motos inapropriadas na estrada.

Lembramos daquela viagem para o Ushuaia (2003) onde quase todos estavam com as motos inadequadas e todos voltaram avariados. Temos visto, da BMW, somente GS na estrada, inclusive perto do nosso hotel há uma do Chile mais carregada que a nossa e até pneus reserva está carregando. Fora da BMW, as motos mais vistas são as Yamaha XT 660. Não encontramos nenhum grupo grande viajando. Do Brasil os quatro motochileiros, alguns casais sozinhos e vários motociclistas completamente sós.

Música: Green Slevees – Besta Instrumental