Dia a Dia – Peru 2009


13o dia – Quarta-feira - 14.01.2009: de Sañayca-PE a Cusco-PE


Percurso:
Sañayca /Amoray /Chontay /Abancay /Abra Sorllaca /Cura Huasi /Ancahuasi /Anta /Cusco

Saímos antes das 7h com Pachamama nos presenteando com uma estrada lisa e cheia de curvas bem fechadas, muitas delas em U invertido. Eólo ainda estava cochilando e, apesar de todas as curvas, fomos bem durante 100 km, até Abankay. Dos 297 km rodados, somente 47 km não tiveram estrada sinuosa.

Na saída Jota animado me preveniu “mesmo que a estrada esteja boa, vou pilotar bem sossegado, ta bom?" E eu, prontamente, "tranqüilo temos o dia todo para chegar a Cusco." Poucos quilômetros após a partida (mas muito poucos mesmo) fotografei o sossegado do Jota a 120 km em curvas fechadas, mas foi sossegado, afinal, de 150 / 160 km caímos para 80 a 120 km, tá muito bom né?

Tivemos mais novidades no dia de hoje? Sim, a grande novidade de hoje foram os animais na estrada – vacas, ovelhas, cavalo, porcos e muitos cachorros (daqueles que ainda correm atrás de veículos) – conduzidos no meio da estrada, às vezes fechando-a. Os condutores são crianças na faixa etária de 6 a 10 anos (no máximo) ou por idosos que mal podiam parar em pé. Durante toda a viagem fomos pegos de surpresa em curvas ou faixas contínuas e lá estávamos nós torcendo para não vir carro em sentido contrário.

Também enfrentamos mais ou menos 2 km de rípio em uma descida, com curva bem acentuada e muitos trechos com pedras caídas no asfalto. A planície é fantástica, sensacional, divina, tudo de bom para encher os olhos com tanta beleza e magnitude. A estrada lembra os Caracoles (entre CH e AR, próximo de Mendoza).

A altitude máxima atingida hoje foi de 4.035 m e em 78 km subimos de 2.400 m para mais de 4.000 m. Não sofremos durante todos esses dias os sintomas “do mal da altitude”, apenas um pouco de pressão na cabeça, com a redução do oxigênio.

Hoje, como garupa, levei as primeiras “babadas” do piloto. Fiquei maravilhada com a estrada, seus ziguezagues, vegetação, rio, pedras, enfim, tudo é muito lindo e dá uma sensação tão maravilhosa de alegria, paz e inquietude que comecei a fazer malabarismo e acrobacia no banco traseiro para não perder nada. Segundo o piloto se ele não fosse grandão e pesado teríamos caído com a vibração da garupa, além do que, às vezes, ele pensava que o pneu tinha furado. Como furado? Na estrada lisinha, depois de tudo o que pulamos ontem?

A outra “babada” também foi com a quantidade de fotos e filmes. Ontem a bateria chegou totalmente zerada e hoje outra vez. Mas como não registrar tudo se até sem luvas viajei, com temperatura abaixo de 4 Graus C, só para ter mais sensibilidade e fazer registros com nitidez? Meus dedos endureceram e, meu Deus, como doíam e eu pensava, agüente só mais um pouco, esta viagem é singular.

Refleti sobre as “babadas”, coloquei minhas luvas, guardei a máquina para deixar o restinho de memória para Cusco e me mexi somente o necessário. A segurança acima de qualquer coisa! Aproveitei a “babada” e valorizei para o Jota que se a Tana virou equilibrista, o mérito era dele e tinha que ser motivo de orgulho, afinal e a super confiança no piloto?

Na estrada, logo após abastecermos em Abankay, quebrou o suporte do GPS o qual, se não tivesse conectado no cabo elétrico, teria caído pela segunda vez (a primeira foi na estrada de SP para Curitiba, quando um frentista honesto achou, ligou avisando e lá foi o Jota buscá-lo, dois dias depois).

Rapidamente o Jota improvisou umas amarras com aquelas “presilhas de plástico” que os policiais amarram até bandidos de tão forte que são.

Nossa Bela da Estrada chegou a Cusco com suas rodas verdes de tanto passar por cima de “cocô” da bicharada cruzada na estrada. Entramos no caos que é Cusco, com suas ruas de paralelepípedo estreitas e todo mundo tentando passar ao mesmo tempo. Um taxista nos tirou da periferia e nos colocou rumo à Praça das Armas e no centro outro senhor gentilmente até desenhou num papel como chegar ao hotel Casa Andina Classic – Cusco Koricancha, na calle San Augustin. Aí sim foi “sui generis” nossa chegada. Paramos na rua estreitíssima, em frente ao hotel, com um belo degrau para a escada. Os carros passavam a poucos centímetros de nossa bela e nós sentíamos o ventinho na orelha.

Para entrar com a Bela foi necessário parar o trânsito, o Jota fazer uma exibição digna de platéia, com o pneu soltando fumaça e três pessoas erguendo a traseira da danada, que se ontem dormiu na nossa entrada, hoje está dormindo dentro do hotel (literalmente) à porta do nosso quarto. Amanhã vamos tirar foto para deixar registrado.

Já passeamos pela Praça das Armas, cambiamos dólares por soles, vimos que a loja de cerâmica, nossa conhecida, continua no mesmo lugar e levamos um susto ao saber o custo do passeio até Machu Picchu – US$ 190 por pessoa – mais caro que duas diárias no Hotel Casa Andina.

Amanhã vamos decidir se iremos até Machu Picchu (já fizemos a Trilha Inca até lá por duas vezes) ou vamos matar a saudade de Cusco, seus museus, ruínas e misticismo.

DADOS TÉCNICOS:


TEMPOS : EM MOVIMENTO 5h00mi57seg; PARADO 1h01min38seg; TOTAL 6h02min35seg.

VELOCIDADES: MÉDIA EM MOVIMENTO 59,2 km/h; MÉDIA TOTAL 49,1 km/h.

DISTÂNCIAS: DO DIA 297,0 km; ACUMULADA 5.245,9 km.

CONSUMO: PARCIAL 19,22 km/l; ACUMULADO 14,18 km/l; Valores → 5.244,3 km / 369,83 l (parcial).

Música: Green Slevees – Besta Instrumental