11o dia – Segunda-feira - 12.01.2009: em Nasca-PE
Como carruagens e príncipes que se transformam em abóboras e sapos! Esta foi nossa descoberta no dia de hoje.
Antes da 8h da manhã (11h no Brasil), já tínhamos tomado café, abastecido nossa Bela da Estrada para viajarmos amanhã cedinho e, como combinado, fomos conhecer e fotografar a cidade com bastante parcimônia.
A rua principal com calçamento de primeira, guias rebaixadas para cadeirantes, restaurantes bem decorados e lojas de souvenirs preparadas para europeus, americanos, enfim, turistas que ficam passando com suas mochilas nas costas, para cima e para baixo (Carruagem e Príncipe). A cidade é decorada com as figuras de Nasca, inclusive nos bancos para descanso, ao longo de toda a rua principal. Comércio e restaurantes, com detalhes impecáveis e acolhedores. Dá vontade de adquirir tudo, fotografar todos os detalhes para não esquecer nada. Paira no ar aquela energia gostosa de paz e bem-estar.
Como somos curiosos e sempre procuramos conhecer a cultura do povo, invadimos as ruas mais afastadas e é nesse momento que vemos abóboras, sapos e gatas borralheiras, com semblantes sofridos, sujos, abnegados e humildes no andar, sentar e conviver com as outras pessoas. Há uma rua onde servem uma espécie de sopa “de sustância” e ali mesmo as pessoas sentam em bancos improvisados e fazem sua refeição no meio do pó, de restos alimentares e forte odor, hoje vimos até um gato morto em decomposição. Os vendedores do “alimento substancioso” ficam lavando as louças em água mantida em recipientes de plástico (aqueles latões grandes de material de construção), sem trocá-las. Passamos, olhamos dentro e vimos água meio marrom, cheia de resíduos alimentares.
Há ambulantes de frutas, verduras, legumes, bombons, sebo de revistinhas, ferramentas, cambistas, todos convivendo juntos em uma “muvuca” total e jogando seus lixos pelos cantos e no meio fio.
A higiene não é o forte por aqui. Nós mesmos acabamos nos acostumando e já estamos comendo saladas cruas, sem qualquer preocupação. É o convívio!
Para quem já conhece o Peru, principalmente o berço da cultura inca – Cusco, Machu Picchu – um dia é o suficiente para conhecer Nasca e suas ruínas.
Das roupas trazidas por mim (Tana) já deixei em Iquique um vestido que estava parando em pé e hoje, aqui no Hotel Alegria, dei para uma senhorita peruana meu amado conjunto Blu4, azul e branco, de 13 anos de idade. A mocinha chegou a ficar emocionada e eu feliz em saber quem vai usar minhas gigantes flores azuis. Estou indo para Cusco com um conjunto de inverno, uma calça jeans e uma de malha, mais três blusas de thermo dry, além das roupas íntimas e um biquíni, que tem sido bem aproveitado nas piscinas que compõe o cenário hoteleiro andino da Panamericana Sur.
Por enquanto o planejamento, no quesito dias de descanso, está perfeito. Saímos bem cedo, chegamos ao início/meio da tarde e dá tempo suficiente para conhecermos as cidades e descansar. Ficamos mais tempo em Humahuaca (um dia) e em Nasca (dois dias). Na primeira foi importante para repor energia, após três dias bem pesados e em Nasca, bem Nasca, é um dos pontos altos da viagem tão bem planejada (Jota) e sonhada (Tana). Estamos bem para chegar inteiros em Cusco, quando curtiremos dois dias e meio.
Agora são 16h40min, céu nublado, já choveu leve (coisa rara por aqui nesta época do ano, segundo os locais), mas o suficiente para melar tudo e Éolo está repousando após dias e dias em intensa atividade. Torcemos que amanhã ele esteja calmo e namore bem suave, sem arroubos nossa Bela da Estrada, totalmente integrada à sujeira barrenta local. Iremos até o Hotel Tampumayu (Sañayca), à beira da estrada, a 19 km após Chalhuanca e a 320 km de Nasca.
No Peru escurece em torno de 18h (21h no Brasil) e clareia em torno de 6h (9h no Brasil).
Música: Green Slevees – Besta Instrumental