8o dia – Sexta-feira - 09.01.2009: de Arica-CL a Camaná-PE
Percurso: Arica /Villa Frontera /Tacna /Cerrilos Pacchia /Quebrada Honda /Estación Hospício /Moqueguá /La Repartición /Vitor /El Alto /Camaná
Camaná, praia peruana e lá vamos nós “manejar” com cuidado em La Quebrada Del Toro! Mas antes vamos nos despedir de Arica, praia chilena. Fomos tomar café com Marie Jeanne y David, cuja sala, como tudo naquele hotel , é impecável. O ritmo era “tartarugal” até a “Teté” francesa chegar e impor ritmo de “generala” chilena. Tomamos café com um casal canadense, que está circulando pelo Chile e Argentina. Jota conversou em inglês, um arranhado que foi o suficiente prá se entender e eu consegui compreender os diálogos.
Despedimo-nos de todos e fomos para as aduanas. Na saída do Chile, uma “carabinera”, jovem, bonita, simpática e educada nos orientou e após 20 min estávamos saindo do Chile. Já na entrada do Peru, que teste de paciência, 1h30min após o início da entrada é que conseguimos realmente adentrar no Peru. Pouco movimento, mas equipe em ritmo de greve branca (dois casais com problemas nos documentos, 4 trabalhadores com ferramentas a declarar e troca de turno dos atendentes atrapalharam bastante o ritmo, já moroso, deles).
Algum tempo depois, mais ou menos 50 km, fomos parados em outra aduana para “checarem se fizemos a tarefa de casa corretamente”. Lá encontramos quatro jovens gaúchos, “motochileiros XT 660”, rumo a Machu Picchu e também tinham saído do Brasil no dia 02.01.09. Passaram por chuva, ventos fortes, neve e estão na expectativa de levar o sol para Cusco. Em Moqueguá, a 210 km de Arica (abastecimento sem precisar entrar na cidade), encontramos outro grupo de brasileiros, paranaenses de Ponta Grossa (em carros) também rumo a Machu Picchu e que , como nós, queriam chegar ao Peru sem chuva.
No Peru a gasolina é vendida em galões e não em litros (um galão equivale a 3,785 litros).
Fofocas e encontros registrados passemos ao tema do dia - La Quebrada Del Toro – um trajeto sinuoso que põe os Caracolse no chinelo, curvas pendentes para o precipício e muita, mas muita habilidade do piloto, pois Eólo desafiou Jota e a Bela da Estrada, começou a se manifestar com força total, bem cedo, levamos “motoporrada” em praticamente todo o trajeto. As dunas são mais avermelhadas, os rípios em maior quantidade e tinha trechos em que a garupa se agarrava no motociclista e não olhava para a direita, pois dava a sensação que se olhasse ou se mexesse mais do que o necessário, o precipício engoliria o trio viajante. Filmamos os estradões sem fim, bem como, registramos todas as curvas e retas.
A única imagem do trajeto, não filmada, que ficará somente em nossas memórias foi o bailado constante da areia branca e super fina no pavimento, vindo dos dois lados e conforme batia a luminosidade ora parecia gelo seco, ora que a estrada ganhava vida e se movimentava. Tudo sob a batuta de sua majestade, Eólo, o deus dos ventos.
Outra característica singular do deserto do Peru é a névoa ou bruma em praticamente todo o trecho, a ponto de em alguns momentos não enxergarmos com nitidez as montanhas. Em alguns lugares ficamos em dúvida se era névoa (pois há placas em toda a estrada comunicando neblina) ou era pó levantado pela força de Eólo, implacável em todo o trajeto até agora percorrido.
Almoçamos no restaurante Ricotambo – El Palácio Del Camarón, à beira da estrada em El Fiscal, mais ou menos 200 km antes de Camaná. Foi gostoso e providencial, pois pudemos descansar, nos hidratar, nos alimentar e também fazer “xixi”, claro.
Em La Repartición (15 km antes de Arequipa) fomos abordados pela policia de carreteras com a intenção bem clara de “morder” a Bela da Estrada e seu piloto, mas, para decepção das autoridades, Tana estava armada com sua poderosa 8.1 bem à mostra. Quando “las autoridades” perguntaram se tiramos muitas fotos, rapidamente respondemos que sim e também que estávamos filmando. Enrolaram mais um pouco e nos liberaram.
Chegamos a Camaná cedo, apesar da demora nas aduanas e com a ajuda de 3h de diferença (hoje a nosso favor, pois no Brasil seriam 17h20min e não 14h20min). Estamos hospedados no Hotel de Turistas Camaná, o melhor da praia. Almoçamos pela segunda vez, camarão “alhudo”, tomei um pouco de sol do pacífico e fomos passear, quando descobrimos um calçadão, telefonamos para nossos familiares e relembramos que a regra básica de trânsito, no Peru, é a buzina.
Vimos, registramos e passeamos no táxi local, um triciclo, adaptado em uma moto 150 cc. Ainda bem que nossa Bela da Estrada estava descansando do dia pesado. Se assistisse a cena nos abandonava no meio do caminho. Mas ela não precisa ter ciúme, fomos até la playa, sacamos la foto e retornamos para o hotel.
Antes de encerrar o relato do dia aqui vai um reconhecimento ao Jota, idealizador, planejador e piloto dessa maravilhosa aventura. Passamos por situações complicadas e não corremos nenhum risco, devido à sua concentração e destreza na condução de nossa Bela da Estrada. Todos os lugares visitados jamais serão esquecidos, os hotéis escolhidos muito bons, as paradas para descanso, a alimentação , o estado de espírito, a calma, tudo está perfeito. Parabéns Jota e obrigada por essa viagem de aventura com segurança e alegria!
DADOS TÉCNICOS:
TEMPOS : EM MOVIMENTO 4h56min58seg; PARADO 2h48min14seg; TOTAL 7h45min12seg.
VELOCIDADES: MÉDIA EM MOVIMENTO 104,0 km/h; MÉDIA TOTAL 66,4 km/h.
DISTÂNCIAS: DO DIA 514,7 km; ACUMULADA 4.176,8 km.
CONSUMO: PARCIAL 14,05 km/l; ACUMULADO 13,54 km/l; Valores → 4.170,8 km / 308,1 l (parcial).
TEMPOS EM MOVIMENTO:
4h56min58seg PARADO:
2h48min14seg TOTAL:
7h45min12seg
Música: Green Slevees – Besta Instrumental