Dia a Dia – Peru 2009


6o dia – Quarta-feira - 07.01.2009: de Calama-CL a Iquique-CL


Percurso:
Calama /Chuquicamata /Quillagua /Oficina Vitória /Pozo Almonte /Alto Hospício /Iquique

Já se foram cinco dias de nossas férias! Levantamos sossegados, tomamos um belo café e saímos rumo a Iquique. Conhecíamos até Calama e a partir de hoje tudo é novidade. O deserto é simplesmente fantástico, montanha, areia, pedras brancas, contrastando com o pavimento negro. O primeiro registro foi em Chuquicamata, onde tem uns morros em forma de bolachas, formando figuras geométricas. Chuquicamata é a maior mina de cobre do mundo e toda a população, dos trabalhadores e seus familiares, foi transferida para Calama, devido ao envenenamento pelo cobre. A viagem foi sossegada, vez ou outra encontramos carros, caminhões e ônibus e relembramos nossa “querida empregadora” - a Copel - pois há torres de transmissão de energia elétrica , com algumas em manutenção, ao longo do deserto em todo o trecho percorrido.

Também vimos expostos tubos gigantes (provavelmente de gás), semi-protegidos por montes de pedras e areia em trechos de mais ou menos um metro. Fiquei imaginando que se alguém quiser, pode fazer um belo de um estrago no deserto, devido à vulnerabilidade dos gigantes tubos.

Após 170 km rodados em deserto, nos defrontamos com o Oásis Quillagua. Impressionante a natureza: desertos, vales inóspitos e de repente no mesmo tipo de solo - umidade - encontramos árvores, animais domésticos e pessoas vivendo ali.

Nos desertos do norte do Chile não há animais, insetos, nada (devido à presença de sal), somente poeira e Eólo que fica cada vez mais veloz à medida que o sol esquenta a terra, ou seja, lá pelas 14 horas a gente começa a levar tapas de Eólo que, imponente, joga areia sobre nós três. Apenas curvas, descidas, subidas, retas planas (variando entre 1.000 e 1.100 m as diferenças de altitude em poucos quilômetros), freadas e aceleradas. Mantivemos velocidade entre 110 e 130 km/h (abaixo de 5.000 giros), para testar a autonomia de nossa Bela da Estrada, que orgulhosamente fez média de 15 km/l. Essa velocidade é benéfica para nossa bela e para a garupa (tira sonecas deliciosamente relaxantes), mas perigosa para o piloto, que pode se distrair ou mesmo cochilar.

Outra novidade: alguns quilômetros depois do oásis vimos crateras de meteoros e fiquei imaginando qual o magnetismo que atrai os meteoros para o deserto. Será uma força divina para proteger os animais e as plantas?

Também passamos por uma floresta nativa de tamarugos, uns 20 km antes de Pozo Almonte. Árvores verdes vivendo no deserto, com areia e pedras. Do que tiram os nutrientes?

Almoçamos pão com salame, na Oficina Victória, 110 km antes de Iquique, onde também abastecemos nossa Bela. Lá fomos atendidos por uma senhorinha lépida e despachadona; ela tem um freezer industrial totalmente revestido por adesivos de turistas que por lá passam. Deixamos o nosso Jota & Tana e vimos o adesivo do SAIDAFRENTE, nossos amigos.

Nessa estação de serviço encontramos turistas indo para Calama e, ao contarmos que nosso destino é Machu Picchu, eles desejaram suerte, pois nesta época, devido à evaporação da floresta amazônica, chove bastante nos Andes, informação essa que já tínhamos na época do planejamento da viagem. A estação sem chuvas é julho, porém é praticamente inviável o transporte por moto devido ao frio e neve. Assim, optamos por arriscar e, se não conseguirmos chegar até o destino final, relaxamos, mudamos o roteiro ou retornamos de “até onde conseguirmos chegar”, pois até aqui o passeio já valeu para nos fortalecer, repor as energias e satisfazer o nosso espírito aventureiro.

Há uns 70 km antes de Iquique, paramos em um estacionamento de descanso (espalhados em todo o deserto). O Jota fez uma filmagem, onde quem assistir vai perceber o tom de voz cansado e abatido do piloto aguerrido e com alma de escoteiro.

Chegamos a Iquique! Antes passamos por Pozo Almonte (45 km atrás e com posto de abastecimento), cidadezinha única na Ruta 5 entre Calama e a entrada para Iquique. A estrada para chegar à cidade é “deserto puro”, montanhas imponentes, areia e rípio alvos, contrastando com o pavimento negro em curvas, subidas e descidas e só enxergávamos essa paisagem que nos intimidava. Uma característica bem interessante é perceber a névoa permanente em cidades costeiras do Pacífico e, é claro, que em Iquique também. Entre a cidade à beira mar e a estrada há dunas gigantes (Cerro del Dragon) que devem se movimentar e aparentemente convivem bem com a civilização.

Pena que não pudemos registrar nada. Pois é, nossa máquina, companheira de viagens há 5 anos, tomou chuva pesada, Eólo enfurecido, jogando areia e pó e a cotadinha não resistiu. Morreu de velhinha e que, segundo o Jota, ficou magoada comigo porque falei que ela não estava mais dando conta do recado.

Compramos outra Sony (8.1) na zona franca de Iquique (ZOFRI) e na volta registraremos todas as belas e imponentes paisagens de Iquique não registradas, além de gravar nossos próximos passeios.

No retorno da zona franca, encaramos um belo sol e a piscina gelada do hotel. O belo sol foi encarado pela garupa (1h45min) e a piscina gelada, bem esta, o Jota compartilhou com um casal que, tudo indicou, mantém relações homo-afetivas.

Jantamos no próprio hotel porque na volta da viagem passaremos dois dias em Iquique para conhecer essa cidade portuária e saborearmos outro pisco sour (eta, polaca bebum).

Amanhã, rumo à Arica (estimados 320 km) onde faremos preparativos para atravessar a fronteira do Peru. Essa preparação será prática (câmbio de moeda) e psicológica devido às curvas, desertos e altitudes que nos esperam, bem como a fama de “lerdos” dos funcionários da aduana peruana. Que nossos anjinhos da guarda grudem em nós três.

DADOS TÉCNICOS:


TEMPOS : EM MOVIMENTO 3h32min54seg; PARADO 56min1seg; TOTAL 4h28min55seg.

VELOCIDADES: MÉDIA EM MOVIMENTO 108,6 km/h; MÉDIA TOTAL 85,9 km/h.

DISTÂNCIAS: DO DIA 385,1 km; ACUMULADA 3.351,0 km.

CONSUMO: PARCIAL 15,08 km/l; ACUMULADO 13.19 km/l; Valores → 3238,9 km / 245,47 l (parcial).

Música: Green Slevees – Besta Instrumental