5o dia – Terça-feira - 06.01.2009: de Humahuaca-AR a Calama-CL
Percurso: Humahuaca /Tilcara /Purmamarca /Susques /Aduana Paso de Jama /San Pedro de Atacama /Calama
Hoje o dia foi especial. Subimos o Paso de Jama, até a altitude máxima registrada de 4.835 m (GPS), com mais ou menos 200 km rodados acima de 4.000 m de altitude. Foi uma mistura de percepções e sentimentos de insegurança diante da estrada molhada, chuva fina, frio de 5 graus centígrados com o céu nublado e ameaçando mais chuva.
Logo no início da subida encontramos um maratonista correndo acima de 4.000 m de calção e camiseta regata (cada maluco no seu galho). Naquele deserto, poucas pessoas são vistas, mas mesmo assim, vimos trabalhadores, casas de barro no meio dos morros e lhamas, o único bicho que vive bem nesse terreno árido e clima gelado.
À medida que subíamos olhávamos para trás e víamos a estrada construída na beirada dos morros, como se fosse um autorama gigante, inclinado para o precipício. Fiquei acompanhando um caminhão - parecia um brinquedo, literalmente. E a natureza então - montanhas por todos os lados, gigantescas, e de repente, quando ultrapassamos os 4.500mn de altitude, elas pareciam tornarem-se pequenos morros. Fiquei acompanhando a altitude no GPS e observando minha respiração, o nariz ardia, senti o coração bater forte e parecia que a cabeça estava crescendo, além daquela sensação horrível de zumbido no ouvido. Fiquei forçando o bocejo para estalar e “aliviar” os ouvidos.
Chegamos ao Hostal Pastos Chicos, após rodar 250,5 km desde Humahuaca, um centro de atendimento turístico, com parada obrigatória para abastecimento da Bela da Estrada e de seus caronas e satisfazer as necessidades fisiológicas. Lá colamos os primeiros adesivos Jota &Tana nesta viagem, encontramos um casal de meia idade de italianos viajando em uma GS 1.150, indo para Machu Picchu / Equador e já estão viajando há um mês. Trouxeram sua moto de navio e viajam a 110/120 km/h para curtir e conhecer os lugares. Segundo a garupa italiana ou é assim ou não tem viagem de moto (e depois dizem que são os pilotos que mandam...).
Além da chuva fina no trecho de curvas bem fechadas, enfrentamos um frio em torno de 5 graus centígrados onde meus dedos das mãos e dos pés doíam muito (aqui vale um parêntesis, o Jota, apesar de estar na frente, tem aquecedor de manopla e não gela as mãos). Rodados mais 50 km e já estávamos com temperatura beirando os 25 graus C, porém nem deu tempo de me aquecer direito. Vimos neve nas montanhas, no deserto, acostamento e no asfalto, sendo uma das placas de gelo na pista em que estávamos e nossa Bela da Estrada passou raspando (senti um calafrio nessa hora).
Quando chegamos à aduana chilena, uma das funcionárias, minha “xará”, contou que está nevando desde o último domingo. Espero que nossos anjinhos da guarda nos protejam na volta e que não fiquemos presos na neve.
Pouco antes de chegarmos à alfândega, ainda no Paso de Jama, vimos ao longe uma placa YPF. Felizes fizemos sinal de positivo um para o outro e, com certeza, os dois pensaram: “oba! Nós não precisaremos entrar em San Pedro”, mas para nossa frustração havia uma construção bem bonitinha, com lanchonete e mini mercado, porém, ainda não habilitada. Outros turistas terão a agradável surpresa ou, quem sabe, até nós mesmos no retorno desta viagem de ter um posto habilitado e bem estruturado na estrada.
As passagens pelas duas aduanas foram demoradas devido à falta de informação e informatização e também porque o movimento de viajantes está baixo para a época de férias – aí eles relaxam. Em cada uma das alfândegas levamos em torno de 40min.
Fomos abastecer em São Pedro do Atacama e já na chegada o Jota resolveu passar entre um carro de “carabineros chilenos” e um carro de turista pedindo informações, bem em frente a uma placa de PARE. Levou a maior dura da autoridade e rapidinho pediu desculpe e se mandou para abastecer nossa Bela no COPEC onde não tive o prazer de conhecer o “marrento” frentista, já “manjado”, dos motociclistas.
Após nossa Bela estar abastecida, seguimos para Calama, por dentro de San Pedro, onde revimos a pracinha cheia de mochileiros e turistas, andando pelas ruas. Passamos em frente à entrada do Vale da Lua e fomos ultrapassando carros e vans até ficarmos sós por vários quilômetros no deserto, rumo à Calama. Esquentou, mas Eólo muito forte tornou o calor suportável. Nossa Bela bailava entre tapas e beijos que levava de Éolo o qual, no meio do deserto, abria o saco de ventos, formando redemoinhos e trazendo pó para o asfalto.
Entramos em Calama, com o Jota moendo a cidade, entrou pelas quebradas e foi direto para o posto. Novamente a prioridade foi a nossa Bela e nós sem comer desde às 10h (já eram 15h). No posto, duas chilenas antipáticas nos atenderam mal, mas mesmo assim cada um devorou dois cachorros quentes. O Hotel previsto, felizmente, estava a duas quadras de distância.
Hospedamo-nos no Hotel Diego de Almagro, quatro estrelas com atendimento de executivo, onde ninguém nos ajudou a carregar nada e nem sequer mostraram onde ficava o elevador.
Jantamos no próprio hotel, porque Eólo enfurecido e muito gelado não animava ninguém a sair para garimpar a cidade. Aperitivamos pisco sour, promessa cumprida pelo Jota, que lá em casa me convidou para um pisco quando chegássemos a Calama. O Jota ficou tonto, molinho e dormiu super bem.
Amanhã seguiremos para Iquique, mais ou menos 400 km cheio de novidades, porque até agora, à exceção de Humahuaca, todos os lugares, por onde passamos, já conhecíamos.
DADOS TÉCNICOS:
TEMPOS : EM MOVIMENTO 5h39min55seg; PARADO 2h22min32seg; TOTAL 8h2min27seg.
VELOCIDADES: MÉDIA EM MOVIMENTO 102,6 km/h; MÉDIA TOTAL 72,3 km/h.
DISTÂNCIAS: DO DIA 581,3 km; ACUMULADA 2,965,9 km.
CONSUMO: PARCIAL 15,89 km/l; ACUMULADO 13.04 km/l; Valores → 2.965,9 km / 227,37 l.
Música: Green Slevees – Besta Instrumental