Dia a Dia – Peru 2009


4o dia – Segunda-feira - 05.01.2009: em Humahuaca-AR


Hoje, primeiro dia de descanso. Acordamos cedo (8h), após uma noite bem aquecida, tomamos café e fomos passear. Aliás, fomos enfrentar fila de banco junto com os “nativos”, após feriado prolongado e início comercial de ano. Tudo porque não aceitam targeta e nem dólares no hotel em que estamos hospedados, somente efectivo em pesos argentinos (gente desconfiada).

O Jota foi à frente, me perdi e uma senhorinha peruana me levou até a Plaza; aí vi um urso gigante, perdido numa multidão de “ïndinhos”. Indaguei e descobri que a cotação do dólar só saía após as 11h e assim fomos passear para enfrentar nova fila mais tarde.

Conhecemos o monumento em homenagem aos heróis locais, da independência, na luta contra os invasores espanhóis. Deixei minha marca territorial líquida nos fundos do monumento e tiramos muitas fotos. É um lugar interessante, com escadas de pedra e, tanto na praça quanto nas escadas, há muitas barracas de artesanato, principalmente cerâmicas bem feitas, bonitas e diferentes. Pena que nossa Bela da Estrada não consegue carregar mais nada. Compramos apenas ímãs de geladeira, aliás, compatíveis com o espaço de carga restante em nossa Bela.

Também tivemos nossos momentos de estresse conjugal. Imagine um português xiita e uma polaca radical, só tinham que se estranhar, cansados do jeito que estávamos. Fomos a uma lan house tentar enviar mensagem para todos. Escolhemos duas fotos para anexar à mensagem e quem disse que conseguimos. Aliás, eu nem tentei. O Jota passou a mensagem, mas não conseguiu enviá-la devido à lentidão, deu aviso de erro, travou tudo e perdeu-se o esforço de mais ou menos uma hora.

Voltamos para o banco, em torno das 11h30min, ficamos em uma fila para cadastrar os dados e na seqüência fomos ao caja 1 cambiar dólares por pesos argentinos. A cotação estava boa 1U$ = PA$ 3,435. Junto aos caixas do banco fica um funcionário que lê documentos paras as pessoas humildes que não sabem fazê-lo, bem como, tira as impressões digitais das mesmas, como assinatura. Enquanto estávamos na fila do banco, bateu o sino de 12h e na seqüência começou a tocar a Ave Maria. Olhei para fora e vi turistas fotografando e nativos orando. Saí correndo e vi um santo, com animação mecânica, que sai de uma janela de madeira em um trilho, ao meio-dia e à meia-noite e fica abençoando as pessoas. Pena que não registrei.

Almoçamos em um restaurante típico, lomo con legumes cozidos (quem arrisca verduras cruas) e junto foi servida espiga de milho cozida em água com açúcar. Comi as espigas e o “abutre” (Jota) comeu os dois bifes. Já tiramos o excesso da sujeira de Bela da Estrada, colocamos os forros nas roupas de moto, lavamos nossas roupas e amanhã subiremos de 2.500 km de altitude para 4.800 km. Aqui é muito frio, cedinho e à noite, lá sabemos que será muito mais frio.

O povo daqui é muito sofrido, com aparência alquebrada, vestindo-se e cheirando mal e a higiene nos lugares deixa a desejar. O hotel que nos hospedamos (uma fortuna) é limpo e confortável.

Agora vamos dar mais uma volta na Plaza, nos despedir de Humahuaca e descansar para enfrentar a altitude, duas aduanas e muito frio.

Música: Green Slevees – Besta Instrumental