10° Dia – 23/03/2011 – Quarta-feira: de Cafayate-AR a Villa Carlos Paz = 767,1 km
Percurso: Cafayate/ Colalao Del Valle /Amaicha Del Valle /Tafi Del Valle /Monteros /Concepción /San Pedro de Gausayan /La Valle /Tapso / San Antonio de La Paz /Recreo /Lucio V. Mansilla /Quilino /Dean Funes /Cruz Del Eje /Capilla Del Monte /La Cumbre /La Falda /Cosquin /Villa Carlos Paz.
Today, was a full day! Diriam os americanos se tivessem nos acompanhado neste trecho da viagem.
A começar pela dupla de pilotagem sincronizada (Jota e Mama Killa), que hoje experimentou o prazer de pilotar devagar, muito devagar. 3h45min foi o tempo levado para rodar perto de 200 km.
Cruzamos o vale Calchaqui rumo a Tafi del Valle e já sabíamos o que nos esperava, pelo menos até as ruínas de Quilmes, onde a paisagem é deslumbrante, o cheiro de uva delicioso e a estrada um belo desafio, pois, hoje exigiu da dupla que exercitasse todas as habilidades do piloto e a performance da máquina. Tinha tudo o que se possa imaginar em um único dia: remendos, buracos, areia fofa, barro, poças d´água, riachos atravessando a estrada e sob as pontes, somente rípio sedento por alguns goles de água. A peripécia foi filmada ou fotografada, exceto quando a copilota (Tana) amarelava e se escondia atrás do piloto.
O céu, com nuvens mais carregadas e baixas do que às 7h15min, quando partimos de Cafayate, deu uma curta trégua e esquentou, mas logo em seguida, quando estávamos subindo a 3.000 msnm, novamente se escondeu e lá fomos nós naquele mundão quase só nosso, com suas majestosas montanhas, cactus e a estrada sinuosa, cheia de feridas e cicatrizes do verão, esperando por curativo, para novamente ser machucada no inverno.
Além do caminho sinuoso, com trechos em reforma e outros ainda muito judiados, o desenho da estrada é com caimento invertido, dando a sensação que de uma hora para a outra vamos cair como se estivéssemos praticando exercícios de equilíbrio em uma estreita corda. É tudo muito louco e precisamos dizer à nossa mente para adormecer o arquétipo aventureiro e se concentrar paisagem. Por mais tecnologia e competência que o homem desenvolva quem manda é a natureza e quando acorda somos esmagados como se fossemos insetos, a exemplo da triste tragédia no Japão.
Chegamos a Tafi Del Valle, paramos em um Complexo Turístico, a Tana brincou com o Jota sobre o trecho recém-cruzado e ele calmamente responde: ainda não acabou. Seguimos viagem e entramos em uma reserva que nos lembrou a serra da Graciosa, no Paraná, com a natureza tão majestosa quanto nossa Serra do Mar, porém, com a estrada carente de manutenção e antes das curvas em formato de um V deitado há placas orientando para buzinar e numa dessas curvas fechadas, provamos que a buzina não funciona como alerta, pois cruzamos com um caminhão e passamos tão próximos que deu um friozão na barriga e tremedeira nos joelhos. Qualquer vacilo e um respeitável precipício estava lá, faminto para abocanhar.
Finalmente descemos a serra, chegamos à estrada plana, asfaltada e movimentada, com céu azul e muito calor. Paramos em um posto YPF, comemos um sanduiche, daqueles meio congelados horrorosos, e seguimos viagem. Alguns quilômetros depois, no lado direito do asfalto, céu negro, com muitos relâmpagos e no lado esquerdo céu claro. Víamos a chuva molhando a vegetação a centímetros do asfalto e vez ou outra o vento respingava algumas gotas em nós, até que as nuvens resolveram atravessar o asfalto. Escureceu, tomamos chuva, vimos muitos relâmpagos e sentimos o vento gelado.
Poucos quilômetros depois a chuva parou e o danado do vento virou macho e balançou as árvores com muita força e o deus dos ventos ficou contra nós muitos quilômetros. A Tana rapidamente esqueceu a função cinegrafista/fotógrafa, grudou no Jota e paralisou, pois a sensação é que seriam derrubados a qualquer momento.
O Jota, por sua vez, segurava com firmeza Mama Killa e tentava mantê-la inclinada na faixa central e o vento insistia em nos empurrar para o acostamento. Paramos em um posto, após interminável rodada, por alguns minutos e pegamos a estrada rapidamente para percorrer os 30 km que faltavam para mudar de estrada.
Mais tranquilos, seguimos viagem com o vento forte, porém, a nosso favor e como today, was a full day fomos parados pela polícia federal que estava tirando um caminhão acidentado do asfalto. Finalmente o sentido da pista em que estávamos, foi liberado mas alguns poucos quilômetros depois, nova blitz, só que agora era para pegar os motoristas faltosos com as regras de segurança no volante (nós recebemos sinal verde).
Logo a seguir obras na RN-38 e dá-lhe desvio de terra fofa.
Muita e muita curva depois, entra em balneário, sai de balneário, passa semáforo, finalmente chegamos a Villa Carlos Paz e, para nossa frustração, descobrimos não havia vaga no hotel planejado. Fomos para Informações Turísticas e encontramos o centro caótico. Os ônibus estão em greve e a população perdida. Estacionamos em frente a um hotel e o Jota, trançando as pernas, entrou, descobriu que tinha vaga, chamou a Tana, guardiã de Mama Killa no meio fio, se olharam e pensaram: é aqui que vamos ficar.
Odisséia? Sim, pois foram 10h10min de canseira e de moto aventura, em um projeto de mototurismo, que tinha como um dos objetivos, se recuperar do trauma do acidente sofrido em janeiro de 2010. Se existia trauma, já se foi...
Hasta luego mas!
FLORIDA HOTEL
ENDEREÇO: Belgrano, 45
TELEFONE: (54) 3511 42 1905
WEB: www.floridahotelsrl.com.ar
DIÁRIA CASAL: (R$): 160,00
NOSSA AVALIAÇÃO: Bom
DADOS TÉCNICOS:
TEMPOS: a) em movimento = 8h16min07seg; b) parado = 1h54min37seg; c) total = 10h10min44seg.
VELOCIDADES: a) Média em Movimento = 92,8 km/h; b) Média Total = 75,4 km/h; c) Máxima = 165,6 km/h.
DISTÂNCIAS: a) Do dia = 767,1 km; b) Acumulada = 3.089,6 km.
CONSUMO: a) Do dia = 14,31 km/l; b) Acumulado = 13,21 km/l; c) Fatores > 2.914,6 km; 220,6 l (parcial).
Músicas: Cancion com Todos e Al Jardim de la Republica – Mercedes Sosa