Dia a Dia Paraguai/Argentina – 2011


9° Dia – 22/03/2011 – Terça-feira: em Cafayate-AR

Ontem fechamos o dia no bar/resto do Baco, o Pelado. Batemos papo sobre viagens, saboreamos uma gostosa pizza e matamos a saudade dos lugares já visitados, em especial a Patagônia, vendo fotos aéreas tiradas por um fotógrafo apaixonado pela Argentina.

Hoje foi o dia de conhecer as ruínas de Quilmes, sugestão dada pelos nossos amigos motociclistas, Ayrton e Eleane.
Fomos à loja de turismo às 9h, conforme tínhamos combinado e encontramos a Plaza Principal às moscas, incluindo o ponto de encontro que estava fechado. Sentamos em um banco e ficamos aguardando. Passados uns 10 min chega esbaforido o argentino que nos atendeu para abrir a loja.

E o guia, cadê o guia? Bem o argentino acordou o guia e uns 30 minutos depois estávamos saindo com Saul, um argentino jovem, com traços índigenas, cabelo espetado e bem gordinho, lembrando um “budinha”, muito simpático e educado.

Quilmes, hoje são ruínas de uma cidade indígena, do Pueblo Diaguita, chamada de Ciudad Sagrada foi centro de desenvolvimento social e cultural do povo de Quilmes nas artes, medicina, alimentação, astrologia, arquitetura e misticismo, herança do incas.

A cidade foi construída de forma inteligente e bem arquitetada. Sob os pés das montanhas, tinha as costas protegidas e inacessíveis e ao redor da cidade construíram uma muralha com pedras brancas, para percebem todos os movimentos e possíveis perigos, principalmente de pumas.

Esse povo, caçador habilidoso, resistiu à invasão espanhola por 130 anos (isso mesmo, mais de um século) e tornaram-se guerreiros, graças às habilidades já adquiridas. Como estratégia de domínio, os espanhóis geraram os aborígenes, descendentes do cruzamento (provavelmente forçado) com o povo diaguita, treinaram seus descendentes que, por sua vez, foram se infiltrando na cidade e assim, dominaram os diaguitas.

Após o domínio o povo mais numeroso e estruturado del Valle Calchaquí foi levado a pé, sem comida e sem bebida, até a cidade de Buenos Aires e os cerca de 200 que resistiram foram mortos como exemplo do domínio espanhol. A partir daí (1666) o vale tornou-se a terra das fincas e do cultivo da uva e produção de vinho, com a tecnologia e ensinamento dos espanhóis.

As ruínas de La Ciudad Sagrada de Quilmes contam com um pequeno museu, que hoje estava fechado, instalações sanitárias e serviço de visita pelas ruínas com acompanhamento de guias locais ou, se o turista preferir pode passear pelas ruínas e tirar suas conclusões, pois tudo são histórias. No mais, nossas fotos mostram a vista panorâmica privilegiada desse povo que resistiu e lutou por sua identidade durante longos 130 anos e só foram dizimados porque foram traídos, diz o povo.

Voltando à terra das fincas. Aqui os apreciadores de vinho se refestelam. Há degustação em várias bodegas ou viniculturas desde a entrada cidade, ao redor da Plaza Principal, algumas quadras adiante, enfim, não é por falta de opção que o turista despede-se, sem experimentar o vinho salteño. Os guias locais ficam aguardando os turistas para um tour sobre a história, processo de fabricação e classificação do vinho, além da esperada e curtida degustação.

Os turistas, meninada da melhor idade, andam com seus rostos vermelhos, brincando e rindo muito, alegrando os ambientes por onde passam, carregando sacolas com as logomarcas das bodegas ou viniculturas e deixando para trás os medicamentos prescritos por seus geriatras.

Hasta mañana, amigos!

Músicas: Cancion com Todos e Al Jardim de la Republica – Mercedes Sosa