Dia a Dia Paraguai/Argentina – 2011


2° Dia – 15/03/2011 – Terça-feira: de Foz do Iguaçu BR-PR a San Bernardino-PY = 302,4 km


Percurso:
Foz do Iguaçu /Ciudad Del Leste /Dr. Juan Leon Mallorquini /Caaguazú /Coronel Oviedo /San José /Eusebio Ayala /Caacupé /San Bernardino.

O plano para hoje era: acordar sem pressa, tomar café sossegado e pegar a estrada, pois teríamos pouca quilometragem para rodar e atravessar a aduana paraguaia seria muito fácil, rápida e sem burocracia. Pouco depois das 6h fomos acordados por um bando excitado de gralhas atravessando o corredor. Era uma excursão de jovens senhorinhas e casais uruguaios de meia e terceira idade em férias (???) rumo à hermosa SC com parada nas Cataratas do Iguaçu.

Tomamos café com aquela turma se atropelando e tropeçando por cima dos demais hóspedes e as garçonetes correndo pelo salão (pero sin perder la ternura jamás), não venciam repor os alimentos, principalmente pães de queijo e omelete e olhe que a reposição era para um público com recomendação médica para ingerir alimentos leves.

Terminado o divertido café, poucos minutos após as 7h, fizemos o check out e seguimos rumo à ponte da amizade. Que muvuca! Ônibus, carros, motos táxi, ciclistas, pedestres todos tentando ocupar o mesmo espaço nos dois sentidos. Conseguimos chegar na fila, sentindo muito calor e meio atordoados, quando um motorista solidário fez sinal e mostrou um atalho fura fila. Rapidamente Jota virou Mama Killa, pulou um meio fio, desequilibrou um pouco mas manteve todos em pé. Que alívio, rodamos um trecho curto, porém significativo, livres da fila e da muvuca, mas ao chegarmos na aduana brasileira aí não teve jeito: ou enfrentávamos o congestionamento ou entrávamos na fila dos moto táxi. O Jota sem titubear abaixou o espírito moto boy curitibano e se meteu no meio da rapaziada “aluga capacete fedido e carona paga na travessia”, e lá fomos nós. Com o Jota meio pedalando, meio pilotando atravessamos um labirinto estreito e cheio de lombadas, onde Mama Killa confirmou sua hegemonia de preferida entre os motociclistas de estrada, pois parecia que não conseguiríamos atravessar por aquele labirinto e conseguimos passar ilesos, sem passar carão ou arranhão.

Finalmente chegamos à aduana paraguaia: muito fácil, rápida e sem exigências como nossos amigos já tinham descrito. Em menos de 10 minutos o Jota retornou com os passaportes carimbados e comentando que não pediram os documentos de Mama Killa, quando a Tana rapidamente respondeu: tomara que os três saiam do Paraguai, pois se la moto não entrou não precisa sair (risadas).

Atravessamos Ciudad del Leste, em meio aos sacoleiros, motocas e buzinação rumo a San Bernardino, intitulado San Ber pelos “hermanos paraguaios”. Outra odisseia, muitos povoados à beira da estrada, comércio exposto de todo e qualquer produto possível de se imaginar e o povo, em uma aparente indolência, à espera de clientes. Nos trechos com duas pistas os carros cravavam 50/60 km/h na pista da esquerda e os incomodados que ultrapassassem pela pista da direita. Pessoas em motocas carregando crianças no tanque e na garupa sem capacetes atravessavam a estrada do nada, além das ultrapassagens em trechos de faixa contínua. Fomos literalmente jogados para o acostamento várias vezes e abordados em três postos da polícia nacional, sendo dois deles evidenciada apenas a curiosidade em namorar Mama Killa.

Chegamos ao Hotel Del Lago, em San Ber, em torno de 11h30min e almoçamos ao ar livre entre plantas seculares, dois loros habladores, duas cocotillas, dois monos titis e muitos mosquitos, bebendo cerveja Stela Artois por R$1,50, isso mesmo, menos de dois reais, o equivalente a um quarto do preço que pagamos nos restaurantes em Curitiba e uma pizza grande no jantar pagamos R$ 12,oo (doze reais).

O hotel foi inaugurado em 1888 por um imigrante alemão que vislumbrou neste local um polo turístico perfeito e desde então, nunca parou de funcionar. Ambientado com móveis de época oferece o conforto dos hotéis contemporâneos (ar condicionado, TV a cabo, internet, etc.) e foi restaurado, expondo em galeria de arte uma linha do tempo com fotos, objetos e a historia do local, tornando-se peculiar, haja vista tratar-se de um hotel museu. Há vários ambientes externos homenageando artistas paraguaios, sensibilizando para a cultura e preservação do meio ambiente, incluindo um parque etnobotânico com suas trilhas entre as árvores seculares.

San Ber é uma vila, às margens do lago de Ypacarai (lago do Senhor na língua guarani), distante uns 40 km de Assunção, cercada por morros com vegetação densa e dois ótimos hotéis, lojas, restaurantes, cafés e espaços para shows nas praças, tudo para receber os veranistas durante a alta temporada. Hoje o balneário está deserto, com uns poucos turistas estrangeiros e encontramos a infraestrutura, de modo geral, desativada transformando o balneário em um vilarejo fantasma com suas belas casas abandonadas, luzes nos varandões acesas, plantas secas e muito pó vermelho nas casas e calçadas.

Não encontramos táxi ou van, por exemplo, para fazermos um tour em Assunção e segundo informações dos moradores o lago já foi azul conforme a guarania em sua homenagem, porém, atualmente é negro e denso devido à poluição.

HOTEL DEL LAGO SAN BERNARDINO


ENDEREÇO: Tte. Weller, 411

TELEFONE: (59) 5512 232201

WEB: www.hoteldellago.org

DIÁRIA CASAL (R$): 80,00 (baixa temporada)

NOSSA AVALIAÇÃO: Muito Bom

DADOS TÉCNICOS:


TEMPOS: a) em movimento = 3h07min09seg; b) parado = 37min10seg; c) total = 3h44min19seg.

VELOCIDADES: a) Média em Movimento = 97,0 km/h; b) Média Total = 80,9 km/h; c) Máxima = 164,0 km/h.

DISTÂNCIAS: a) Do dia = 302,4 km; b) Acumulada = 927,8 km.

CONSUMO: a) Do dia = 13,02 km/l; b) Acumulado = 13,03 km/l; c) Fatores > 927,8 km e 71,22 l.

Músicas: Cancion com Todos e Al Jardim de la Republica – Mercedes Sosa