15º dia: sábado, 06 de março de 2004, de Luján-AR a Uruguaiana-RS-BR = 674 km rodados em 6h30min.
Percurso: Luján /Campana /Zárate /Gualeguaychu /Concepción Del Uruguai /Colón / Condordia / Chajari / 4 Bocas /Paso de Los Libres /Uruguaiana
Por problemas em algumas motos (ventoinha da 600 F) o grupo dividiu-se, saindo uma parte às 11h e outra às 13h. Todos tentaram ajudar, porque os mecânicos locais, por mais prestativos e atenciosos, não entendiam de mecânica para os nossos tipos de moto. Os próprios pilotos tentaram resolver os problemas, ligando para seus mecânicos no Brasil, que à distância deram seus palpites e orientações.
Nós seguimos com o grupo que partiu às 11h e logo nos primeiros quilômetros vimos à nossa frente nuvens carregadas que anunciavam a chegada de um temporal. O sol encoberto tornou a sensação térmica mais fria e, para ajudar, a qualidade do asfalto diminuiu. A chuva começou, a temperatura não parava de cair e o temporal engrossava. Os pilotos continuaram acelerando, firmes e concentrados na estrada e eu, agarrada no Jota para fazer corpo único, facilitar a pilotagem e trocarmos calor (como se fosse possível). Comecei a cantar, feito uma louca, para me desligar dos raios e trovões assustadores. O vento fortíssimo, num trecho de 4 km, carregava as motos para fora da pista, obrigando aos pilotos voltarem a 45 graus contra o vento em direção à contra mão até serem arrastados novamente.
Pelo menos uma vantagem tivemos em relação ao restante do grupo e dos motoristas de modo geral: la policia de Concórdia, na província de Entre Rios, entretida com a chuva e com um acidente recém-ocorrido não teve tempo de nos morder. Dá para acreditar? Cite um desses nomes para qualquer motorista estrangeiro que passou por lá e todos terão uma triste história de mordida ou arranhão para contar, até garupas ou passageiros são alvo desses ataques. Todos são forçados a abrir suas carteiras e desta vez, somente desta vez, passamos ilesos e incólumes. Viva São Pedro!
Chegamos cansados, encharcados e felizes em Uruguaiana, torcendo pelos demais que ainda estavam na estrada. Após as 22h, todos sãos e salvos, hospedados no mesmo hotel e mais próximos de casa. Pelo menos no Brasil já estávamos. Que alívio!
Jantamos no mesmo bar no qual havíamos jantado, um ano antes, por ocasião da viagem a Ushuaia. Naquela oportunidade a Tana havia solicitado, ao dono do boteco, a gravação em CD da música ambiente que tocava. Este, muito solicito, pediu nosso endereço e disse que enviaria o CD. Nunca mandou.
Lembrado do episódio ele disse: Ah! A senhora é a Solange, né?A Tana, surpresa, respondeu que sim. Aí ele dirigiu-se a uma gaveta, abriu-a e tirou a cópia do CD. Disse copiar eu copiei, só não enviei Coisas da vida.
Música: Air – Snarkadaktal