11º dia: terça-feira, 02 de março de 2004, de Puerto Varas-CL a San Carlos de Bariloche-AR = 358 km rodados em 8 horas (média de 44,75 km/h).
Percurso: Puerto Varas /Osorno /Entre Lagos /Puyehue /Correntoso /San Carlos de Bariloche
Às 9h, após uma caminhada por Puerto Varas e constatação que o tempo continuaria nublado, partimos frustrados, sem nos aproximarmos do lugar onde o demônio mora, nome indígena do vulcão Osorno, que teve sua última erupção em 1850 e, desde então, hiberna em sono profundo. Não conseguimos avistá-lo nem de longe devido à nebulosidade densa.
Seguimos viagem rumo a Bariloche, quase todos usando a capa de chuva para se proteger do frio, mesmo com o tempo seco, apesar de nublado. Logo na saída, para nossa felicidade, o Lu percebeu que um dos nossos bauletos estava mal instalado e poderia cair de uma hora para outra.
Estávamos apreensivos com a travessia da fronteira, porque tínhamos perdido o documento de entrada da moto, no Chile. O atendente da aduana Argentina foi atencioso, prestativo e como o Jota lembrava que o número do seu documento era seqüencial ao do Lu facilitou a localização no sistema e, assim, imprimir a tela do computador, fazendo os carimbos necessários. Já na saída do Chile não sentimos receptividade do atendente aduaneiro, que relutou em aceitar o impresso. Mas nada como um diálogo educado e paciencioso. Deu tudo certo. O tempo começou a carregar, a massa úmida ficou mais gelada e virou chuva.
Cá estávamos, atravessando a Cordilheira dos Andes novamente, mas com outro cenário e lembramo-nos de uma analogia feita nos idos tempos de escola, por uma professora lembrada até hoje, mais ou menos assim: as montanhas andinas são as cicatrizes de Pacha Mama, quando partes da terra sacudiram há milhões de anos e se formaram as montanhas, os vales, as ilhas, os rios e os desertos.
Ela é a mais longa do planeta, localizada na América do Sul e se estende por 7.500 quilômetros, desde o norte do continente (na Venezuela) até o extremo sul (na Terra do Fogo, onde estivemos o ano passado).
O tipo das montanhas muda de um lugar para o outro. Agora estamos na região gelada, úmida, mais baixa e mata verde, exuberante. Avistam-se muitos rios de pedra, secos que se enchem no degelo. A paisagem é maravilhosa, estamos na estrada dos sete lagos, com a floresta e as montanhas ao fundo. Tiramos muitas fotos. Perto de Bariloche avistamos o imenso Lago Nahuel Huapi, às margens do qual Bariloche foi fundada e fomos surpreendidos com o forte vento, dificultando a pilotagem das motos.
Já em Bariloche fomos até o Automóvel Clube Argentino e obtivemos a indicação do Hotel Piuke, onde nos instalamos. É bem localizado, próximo à catedral, ao Lago Nahuel Huapi e à rua central. Como nada é perfeito, a garagem, ficava distante uma quadra e meia, em um estacionamento particular conveniado, onde os pilotos tiveram um pequeno incidente com o garagista, que exigia estrangular nossas motos com seus largos bauletos, em um canto, para dar mais espaço e conforto aos motoristas de carros.
Acomodados e corpo aquecido com banho quente! Fomos dar uma volta de reconhecimento em Bariloche e de cara ficamos surpreendidos como tudo é barato, por aqui. Na verdade, o Chile é que estava muito caro (1 real = 191,22 pesos chilenos) e o valor da moeda argentina era igual ao real.
Música: Air – Snarkadaktal