18° Dia – 07/08/2013 –Quarta-feira: de Belém-PA a Santa Inês-MA = 543,1 km
Percurso: Belém /Ananindeua /Castanhal /Santa Maria do Pará/Capanema /Cachoeira do Piriá /Boa Vista do Gurupi /Quatro Bocas /Junco do Maranhão /Maranhãozinho /Presidente Médici /Nova Olinda do Maranhão /Araguanã /Cocalinho /Zé Doca /Governador Newton Belo /Santa Inês.
Ufa! Conseguimos sair de Belém e também... acredite se quiser... do Pará.
Às 6 h já estávamos nos preparando (rapidamente) porque , devido a obras, a saída de Belém seria caótica (e foi); quarenta minutos depois já estávamos na estrada suando muito e tentando nos desvencilhar do ziguezague de ônibus, caminhões, carros e muitas “motoquinhas”.
Baixou o espírito de motoboy no Jota e lá fomos nós, junto com a turma de motoqueiros que até nos ajudavam como abre alas. Mesmo assim levamos em torno de cinquenta minutos, nessa brincadeira, para andar 18 km, com a temperatura marcando 30 graus C, às 7h.
Uau! Maranhão nos recebe com surpresa... Chegamos à ponte (sobre o Rio Gurupi) que divide ou une os dois estados Pará e Maranhão e já na chegada estranhamos a fila de veículos parada e ocupando toda a ponte – sentido Maranhão – e no sentido contrário vazia com muitas pessoas lá na cabeceira da ponte.
Ficamos alguns segundos na fila, quando o Jota perguntou: arriscamos? E a Tana de imediato: vá em frente. À medida que nos aproximávamos da cabeceira as pessoas faziam sinal para seguirmos em frente, até um ciclista nos contar que estava acontecendo um protesto desde as 7h e não tinha hora pra acabar.
Quando chegamos lá no início da fila, o susto! Uma multidão nos engoliu. Crianças, adultos, homens e mulheres passavam a mão na Joaninha e se acotovelavam para sacar las fotos. O Jota desligou nossa invocada duas rodas e a Tana desembarcou decidida a negociar a liberação daquele tumulto.
Primeira frustração foi negociar com uma das líderes do movimento, que reagiu enfurecida dizendo: vocês vão ficar aqui até acabar. A Tana olhou para o Jota e quando viu que ele e a Joaninha estavam cercados por uma multidão maior ainda foi até o comandante da polícia pedir ajuda e ele prontamente: “a única pessoa que pode tirar vocês daqui é a senhora” e apontou para os líderes do protesto.
Rapidamente a Tana observou e seguiu até o representante do Sindicato dos Motos Táxis. Pediu, explicou o inexplicável, ele foi atencioso e educado e começou a procurar as líderes mais radicais e descobriu as duas tirando fotos com o Jota e a Joaninha, sentadas na garupa (uma de cada vez), penduradas no pescoço do Jota.
Decidido disse: vou deixar vocês passarem, pode chamar. A Tana rapidamente chamou o Jota, enquanto o representante dos “Moto Táxi” tirava um pneu do cantinho da estrada. Imediatamente os manifestantes abriram um corredor para facilitar a passagem e aos gritos, passadas de mão e beijos nos liberaram com a dupla - Jota e Joaninha – vivendo seus momentos pop stars, atendendo aos pedidos para ouvir o motor da possante, o Jota “enrolou o cabo” e deu um show sonoro para manifestantes, polícia e presos na fila.
Entre a liberação e a nossa saída, um pequeno grupo de manifestantes tentou nos ajudar a burlar o protesto, ensinando um caminho alternativo, com pulos, buracos, mato, pedras e rampa, tudo o que um motoboy pode fazer com suas pequeninas leves e vazias.
Outra passagem que merece registro: uma das líderes, a primeira que sentou na Joaninha, falou pra Tana, enquanto o Jota passava no corredor humano:
Líder do protesto – “tu confia no teu taco mulher.”
Tana – “obrigada, mas o mérito é de vocês que foram bondosos e nos liberaram.”
Líder – “oh mulher! Num tô falando disso, tu amarrô teu home direitinho.”
Tana – deu um sorriso amarelo, passou a mão nas costas da líder e pensou: e eu sou louca de me meter.
Conclusão: fomos liberados uns quinze minutos depois e os manifestantes ficaram por lá, mantendo presos os veículos, já há duas horas, sem previsão de término.
Com a estrada bem conservada, sinalizada e deserta num dos sentidos ficou sossegado manter uma boa média.
Aqui no Maranhão os pequenos municípios – alguns mais conservados outros menos – também têm sua dinâmica à beira da estrada, muitas até enfileiradas, lado a lado, com a estrada como única rua, exigindo atenção e cuidado para não provocar acidente.
Estamos a 250 km de São Luís do Maranhão, hospedados em uma cidade um pouco maior (Santa Inês), tendo no comércio a economia básica e o hotel é bom, apesar de caro e guardar peças decorativas que demonstram já ter tido épocas mais pujantes.
Até amanhã, em São Luís do Maranhão!
PERS PALACE HOTEL
ENDEREÇO: Rua Barreirinha, 1405, Centro
TELEFONE: (98) 3653-1215
WEB: www.perspalacehotel.com.br
DIÁRIA CASAL: R$ 190,00 (apto. luxo)
NOSSA AVALIAÇÃO: Bom
DADOS TÉCNICOS:
TEMPOS: a) em movimento = 5h49min; b) parado = 1h41min; c) total = 7h30min.
VELOCIDADES: a) Média em Movimento = 93,0 km/h; b) Média Total = 72,41 km/h.
DISTÂNCIAS: a) Do dia = 543,1 km; b) Acumulada = 3.760,3 km.
CONSUMO: a) Do dia = 12,9 km/l; b) Acumulado = 14,47 km/l; c) Fatores > 3.760,3 km; 259,88 l.
Música: Aquarela do Brasil – João Gilberto