Dia a Dia – Brasil Centro Norte 2013


14° Dia – 03/08/2013 – Sábado: de Manaus-AM a Belém-PA = de barco

Dia de emoções fortes!

À noite novos agitos, uma forte tempestade que mobilizou toda a tripulação para a sala de comando e como somos vizinhos de parede ouvimos toda a movimentação após assistir os raios que transformavam a noite em dia.

Passado o susto do temporal algum tempo depois acordamos sobressaltados com o apito, passadas pesadas e conversas por rádio; normal era somente mais uma parada para embarque e desembarque na madrugada, dessa vez em Almeirim no Pará.

Mais algumas horas de sono, que mais pareceram minutos e lá fomos nós, às 6h, ver o Sol nascer e o que vimos foram nuvens muito carregadas, prenunciando chuva ao longo do dia. Alguns minutos depois a penúltima parada em Gurupá, mais sobe/desce, carrega/descarrega e lá fomos nós.

Duas horas depois nos despedimos do rio Amazonas e entramos no estreito de Breve, que substitui a imensidão do Amazonas por um corredor onde passamos bem próximos às margens do estreito. Fomos surpreendidos com pequenos (às vezes minúsculos) barcos remados por crianças em pequenos grupos ou sós, pedindo ajuda e os passageiros começam a jogar sacolas com roupas, calçados e alimentos, que são disputados com voracidade pelos pequeninos lá no rio. É emocionante e constrangedor ao mesmo tempo.

Ao longo de todo o trecho percorrido vimos muitas palafitas, isoladas ou em pequenas vilas, com um estreito trapiche, um barquinho e em várias delas, uma parabólica – são os chamados ribeirinhos. Usam moto gerador de eletricidade a gasolina e os alimentos básicos são a pesca de pequenos camarões (quase não há mais peixes nessa região) e o cultivo do açaí. Os mais ousados (crianças) sobem no Catamarã para vender camarão salgado.

Vimos também algumas pequenas serrarias derrubando árvores das matas ciliares, e transformando-as em tábuas.

O restante da viagem foi sossegado, com céu nublado e muito abafado. No barco os corredores já começam a cheirar mal (mistura de urina com suor e cerveja), lixo espalhado pelo chão e os latões de lixo disponíveis e vazios.

As pessoas jogam o lixo (latinhas, pacotes, guardanapos, restos alimentares, etc.) no rio ou nos corredores ao lado dos latões e não tem consciência que existem lugares apropriados para jogar resíduos e lixo reutilizável.

Mais um pôr do sol com nuvens e foi a nossa última chance, pois amanhã bem cedo deveremos estar em Belém.

Música: Aquarela do Brasil – João Gilberto